Amazônia e clima 29 de outubro de 2026

Paraíso amazônico, Alter do Chão é tomado pela fumaça das queimadas

O fogo está avançando na Amazônia e o Pará aparece no topo dessa lista. Regiões do Estado, como a Pérola do Tapajós, que guarda um dos destinos turísticos mais buscados do país, Alter do Chão, está encoberta pela fumaça.  Até 27 de outubro, o estado registrou 22.090 focos de calor, segundo dados do satélite de […]

O fogo está avançando na Amazônia e o Pará aparece no topo dessa lista. Regiões do Estado, como a Pérola do Tapajós, que guarda um dos destinos turísticos mais buscados do país, Alter do Chão, está encoberta pela fumaça. 

Até 27 de outubro, o estado registrou 22.090 focos de calor, segundo dados do satélite de referência do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O Pará ficou à frente do Maranhão, com 10.666 focos; de Mato Grosso, com 10.119; Tocantins, com 9.250; e Amazonas, com 8.428.

Somando os totais dos nove estados que compõem a Amazônia Legal, foram registrados 67.457 focos de calor no período. Nessa conta, o Pará responde por aproximadamente 32,7% dos registros. Os cinco estados com mais focos concentram quase 90% do total.

Já no recorte oficial da Amazônia Legal usado pelo próprio INPE, foram contabilizados 64.826 focos até 27 de outubro. 

Mas é importante entender o que esses números significam. Um foco de calor não é necessariamente um incêndio inteiro. É uma detecção feita pelo satélite em uma área com temperatura elevada. Um mesmo incêndio pode gerar vários focos, enquanto uma queimada pequena ou encoberta por nuvens pode não ser detectada. Por isso, os dados indicam a presença e a distribuição do fogo, mas não mostram sozinhos o tamanho da área destruída.

E por que o fogo se espalha tão facilmente nesta época?

Alter do Chão encobertra pela fumaça
Imagens aéreas mostram a Vila de Alter do Chão encoberta pela fumaça

A Amazônia passa por um período de estiagem, com menos chuva, temperaturas mais altas e menor umidade. Esse cenário deixa folhas, galhos e vegetação mais secos. A previsão da NOAA aponta que o El Niño de 2026 deve permanecer entre forte e muito forte até o início de 2027. Uma nota técnica conjunta do INPE, INMET, Funceme e Censipam também alerta que o fenômeno pode prolongar a estação seca e aumentar o risco de fogo na Amazônia Legal.

Mas o El Niño não coloca fogo na floresta sozinho.

Ele deixa o ambiente mais inflamável. Para o incêndio começar, ainda é necessária uma fonte de ignição. Na Amazônia, o fogo começa sempre com alguma ação humana: limpeza de áreas desmatadas, renovação de pastagens, preparo de roçados ou queimadas que escapam do controle.

Também existem incêndios provocados de forma intencional para retirar a vegetação e abrir espaço para pastagem. Ou seja, são os incêndios criminosos. Mas os dados dos satélites, sozinhos, não conseguem dizer se cada foco foi criminoso, acidental ou resultado de uma queima autorizada.

Nós já estamos questionando o governo do estado do Pará, sobre quais ações estão sendo tomadas para combater as queimadas e se há investigação em curso para identificar possíveis responsáveis por incêndios criminosos. 

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