O que está acontecendo na Amazônia? 20 de maio de 2026

Pará concentra mais da metade dos municípios com pior qualidade de vida do Brasil

O estado do Pará enfrenta um cenário crítico de vulnerabilidade social, segundo os dados recém-divulgados do Índice de Progresso Social (IPS Brasil 2024). O levantamento, que avalia o desempenho das cidades além dos indicadores econômicos tradicionais, aponta que o Pará detém 11 das 20 piores colocações no ranking nacional de qualidade de vida. O índice […]

O estado do Pará enfrenta um cenário crítico de vulnerabilidade social, segundo os dados recém-divulgados do Índice de Progresso Social (IPS Brasil 2024). O levantamento, que avalia o desempenho das cidades além dos indicadores econômicos tradicionais, aponta que o Pará detém 11 das 20 piores colocações no ranking nacional de qualidade de vida.

O índice mede o progresso social a partir de três pilares: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades.

No topo negativo da lista nacional, municípios paraenses como: Jacareacanga, Portel, Pacajá, Anapu, Uruará, Trairão, Bannach, São Félix do Xingu, Cumaru do Norte, Oeiras do Pará e Anajás, apresentam deficiências severas em saneamento, acesso à informação e direitos individuais

Municípios com pontuações mais baixas

MunicípioUFIPS Brasil 2026
UiramutãRR42,44
JacareacangaPA44,32
Alto AlegreRR44,72
PortelPA45,42
AmajariRR45,58
PacajáPA45,87
AnapuPA45,91
JapuráAM46,23
Santa Rosa do PurusAC46,70
UruaráPA46,80
TrairãoPA46,82
BannachPA47,23
São Félix do XinguPA47,38
RecursolândiaTO47,39
Cumaru do NortePA47,43
PeritoróMA47,53
Oeiras do ParáPA47,57
LadainhaMG47,58
AnajásPA47,62
ParaísoTO47,63

Fonte: IPS Brasil 2026

A concentração de indicadores baixos na Amazônia Legal contrasta com os resultados do Centro-Sul do país, evidenciando um abismo estrutural que impede o avanço da dignidade humana em regiões ricas em recursos naturais, mas carentes de presença estatal.

O cenário nacional

Em âmbito geral, o IPS Brasil 2024 revela que a média do progresso social no país ainda é considerada moderada, com uma pontuação de 61,83. Enquanto cidades como Gavião Peixoto (SP), a primeira colocada, ostentam bons serviços de saúde e infraestrutura, a base da pirâmide é dominada quase inteiramente por cidades da região Norte.

O estudo destaca que o crescimento do PIB nem sempre se traduz em bem-estar: muitas cidades com alta produção agrícola ou mineral no Pará figuram entre as piores em progresso social, provando que a riqueza econômica não tem chegado à ponta da população.

Os pontos mais críticos apontados pelo índice no Brasil, e que castigam o Pará com maior força, são o saneamento básico e a gestão de resíduos sólidos. Em muitos dos municípios paraenses citados, a ausência de rede de esgoto e água tratada é a principal barreira para que o estado suba no ranking.

Falta de respostas

O levantamento funciona como um raio-X das falhas de gestão pública. A predominância do Pará no “Z-20” da qualidade de vida coloca pressão sobre as administrações municipais e o governo estadual, especialmente em um momento de grandes expectativas econômicas para a região.

*Matéria realizada com informações do Portal G1.

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