Petrobras investirá R$ 2,5 bilhões para ampliar extração de petróleo e gás na Amazônia
Anúncio em Urucu integra pacote de R$ 2,8 bi da estatal; plano ignora apelos por zonas livres de fósseis e contrasta com promessas de transição energética do governo federal. Enquanto o mundo debate o fim da era dos combustíveis fósseis, a Amazônia brasileira caminha na direção oposta. Nesta quarta-feira (27), o presidente Luiz Inácio Lula […]
Anúncio em Urucu integra pacote de R$ 2,8 bi da estatal; plano ignora apelos por zonas livres de fósseis e contrasta com promessas de transição energética do governo federal.
Enquanto o mundo debate o fim da era dos combustíveis fósseis, a Amazônia brasileira caminha na direção oposta. Nesta quarta-feira (27), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre agenda no estado para oficializar um investimento bilionário da Petrobras e de sua subsidiária Transpetro. O montante, que ultrapassa R$ 2,8 bilhões até 2030, tem como principal destino a Província Petrolífera de Urucu, em Coari (AM), a 650 km de Manaus.
Do total anunciado, R$ 2,5 bilhões serão aplicados especificamente na ampliação da produção em Urucu. O plano inclui a perfuração de 22 novos poços e a expansão da oferta de gás fóssil. Implantada em plena floresta nativa em 1986, a unidade é um símbolo da exploração de hidrocarbonetos no bioma, operando por meio de uma vasta rede de dutos que abastece a capital amazonense.
Logística e royalties: a “Dubai” que não prosperou
Além da extração, o pacote prevê investimentos em logística. A Transpetro deve destinar recursos para a construção de 18 barcaças no estaleiro Bertolini, visando aumentar a eficiência no fornecimento de combustível marítimo nos portos brasileiros.
Entretanto, o investimento reacende uma crítica histórica sobre o impacto real desses recursos na ponta. Coari, apelidada de “Dubai Amazônica” devido ao vultoso volume de royalties recebidos, ainda amarga indicadores sociais precários. Relatos de campo recentes mostram que a riqueza do petróleo não se traduziu em infraestrutura básica: faltam de medicamentos em farmácias populares a serviços essenciais, evidenciando que a abundância financeira do setor nem sempre rompe o ciclo de pobreza local.
O dilema da transição energética
O anúncio ocorre em um momento de pressão internacional. Organizações da sociedade civil propuseram recentemente a criação de “Zonas Livres de Combustíveis Fósseis” (FFZ) na Amazônia, como estratégia para uma transição energética justa. A ideia é proteger “zonas de vida” e afastar o risco de novos desastres ambientais e o aprofundamento da dependência de energias poluentes.
Apesar dos apelos, o governo e a Petrobras reafirmam a aposta nos fósseis em terra firme, priorizando a segurança energética em detrimento do abandono imediato do petróleo e gás. Para especialistas, a expansão em Urucu coloca a “transição justa” em modo de espera, priorizando lucros imediatos e a manutenção de uma matriz que o planeta tenta desesperadamente substituir.
*Esta matéria foi realizada com informações do portal Clima.Info.