Onda de calor extrema na Europa já provocou mais de 1,3 mil mortes e acende alerta da OMS
A intensa onda de calor que atinge a Europa desde o fim de junho já está associada a mais de 1.300 mortes acima do esperado, segundo informou neste domingo (28) o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. O fenômeno tem elevado as temperaturas a níveis históricos em diversos países e colocado […]
A intensa onda de calor que atinge a Europa desde o fim de junho já está associada a mais de 1.300 mortes acima do esperado, segundo informou neste domingo (28) o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. O fenômeno tem elevado as temperaturas a níveis históricos em diversos países e colocado milhões de pessoas sob risco.
De acordo com a OMS, cerca de 150 milhões de pessoas enfrentam condições de calor extremo no continente. Tedros classificou o estresse térmico como um “assassino silencioso” e alertou que a infraestrutura europeia não foi projetada para suportar temperaturas tão elevadas. Segundo ele, a Europa é atualmente o continente que aquece mais rapidamente no planeta, em um ritmo duas vezes superior à média global.

A França está entre os países mais afetados. O Ministério da Saúde francês informou que aproximadamente mil mortes acima do esperado foram registradas desde o início da onda de calor. A maioria das vítimas tinha 65 anos ou mais, e houve aumento de cerca de 40% nas mortes ocorridas dentro de residências. As autoridades alertam que os impactos sobre a saúde podem continuar mesmo após a redução das temperaturas.
Enquanto isso, novos recordes de temperatura foram registrados em diversos países. A Alemanha atingiu 41,7°C, estabelecendo seu maior índice histórico pelo terceiro dia consecutivo. Na República Tcheca, os termômetros chegaram a 41,1°C, enquanto a Polônia registrou 40,5°C, também superando marcas anteriores.
Especialistas apontam que o episódio resulta da combinação entre uma forte massa de alta pressão atmosférica, conhecida como “cúpula de calor”, e ventos que transportam ar extremamente quente do norte da África para o continente europeu. Esse sistema dificulta a formação de nuvens, intensifica a radiação solar e eleva ainda mais as temperaturas.
Embora o fenômeno El Niño contribua para o aumento das temperaturas globais e tenha sido oficialmente declarado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) em junho, cientistas afirmam que ele não é o principal responsável pela atual onda de calor na Europa. Segundo especialistas, sua influência sobre o clima europeu é limitada, enquanto as mudanças climáticas desempenham papel central na intensificação desses eventos extremos.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) já havia alertado que o El Niño previsto para 2026 poderá estar entre os mais intensos já registrados, aumentando a probabilidade de eventos climáticos severos em diferentes regiões do planeta.
Diante do cenário, a OMS reforçou o apelo para que os países europeus ampliem os planos de proteção da população durante períodos de calor extremo, fortalecendo os sistemas de saúde e adotando medidas preventivas para reduzir os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde pública.
*Matéria realizada com informações dos portais G1 e CNN.