Mulheres indígenas do Médio Xingu publicam carta aberta contra projeto de mineração na Volta Grande do Xingu
Um grupo de mulheres indígenas do Médio Xingu divulgou nesta quarta-feira (24) uma “carta aberta ao mundo”, nas redes sociais, na qual se posiciona contra o projeto de mineração da empresa canadense Belo Sun Mining Corp., previsto para a região da Volta Grande do Xingu, no Pará. No documento, assinado por representantes dos povos Juruna […]
Um grupo de mulheres indígenas do Médio Xingu divulgou nesta quarta-feira (24) uma “carta aberta ao mundo”, nas redes sociais, na qual se posiciona contra o projeto de mineração da empresa canadense Belo Sun Mining Corp., previsto para a região da Volta Grande do Xingu, no Pará.
No documento, assinado por representantes dos povos Juruna (Yudjá), Arara, Xikrin, Xipaya e Curuaya, as autoras afirmam que são “as mulheres indígenas do Médio Xingu” e destacam que “somos nós que cuidamos das crianças, dos alimentos, das águas e da vida que continua. Por isso somos as primeiras a sentir quando a vida está ameaçada. E hoje ela está”.
As lideranças afirmam que o empreendimento representa risco ambiental e social à região. “A mina é um projeto de morte”, diz o texto, ao citar o uso de cianeto e a construção de uma barragem de rejeitos a menos de dois quilômetros do rio Xingu. O documento também menciona impactos anteriores na região: “Já vimos o que a destruição faz com o nosso rio. A barragem de Belo Monte secou a Volta Grande, matou peixes, adoeceu famílias e quebrou o ciclo das águas de que dependemos”.
As autoras também contestam a realização de consulta às comunidades tradicionais. “Nunca houve consulta verdadeira. A Convenção 169 da OIT, que o Brasil assinou, garante o nosso direito à consulta prévia, livre e informada. A empresa afirma que nos consultou. É mentira”, afirma o texto.
A carta ainda acusa tentativas de divisão interna e pressões sobre lideranças locais. “A empresa tenta nos dividir. Depois que decidimos coletivamente dizer não, representantes da Belo Sun passaram a procurar lideranças isoladas, em reuniões fechadas”, diz outro trecho.
O documento também critica decisões judiciais relacionadas ao caso e cita o processo conduzido no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). Segundo o texto, “o próprio Ministério Público Federal acusou publicamente o magistrado de usar essa manobra para blindar uma decisão”.
Ao final, as lideranças fazem um apelo internacional por apoio e pedem a suspensão do empreendimento. “Não vamos aceitar. Belo Sun, fora da Volta Grande do Xingu. O Xingu é vida, e nossa vida não está à venda”, conclui a carta.
Leia na integra:

