O que está acontecendo na Amazônia? 30 de maio de 2026

Soure se despede da Pajé Roxita, guardiã da ancestralidade e da medicina da floresta no Marajó

O Arquipélago do Marajó perdeu, nesta semana, uma de suas maiores referências de saber tradicional. Irandilva Silva, a Pajé Roxita, carinhosamente chamada de Tia Rô, faleceu em Soure, deixando um legado imensurável como guardiã da cosmologia marajoara. Reconhecida como uma das últimas pajés caboclas da região, ela era uma autoridade viva na medicina da floresta […]

O Arquipélago do Marajó perdeu, nesta semana, uma de suas maiores referências de saber tradicional. Irandilva Silva, a Pajé Roxita, carinhosamente chamada de Tia Rô, faleceu em Soure, deixando um legado imensurável como guardiã da cosmologia marajoara. Reconhecida como uma das últimas pajés caboclas da região, ela era uma autoridade viva na medicina da floresta e um símbolo de resistência da espiritualidade amazônica.

A trajetória de Dona Roxita foi marcada por um profundo compromisso com a justiça social. Ela foi a fundadora e presidente do Centro Comunitário Filantrópico de Soure, onde dedicou décadas de sua vida ao acolhimento e proteção de crianças em situação de vulnerabilidade. Sua atuação institucional também incluiu a presidência local da Cruz Vermelha, consolidando sua imagem como uma das principais articuladoras de ações humanitárias e de promoção da dignidade humana no município.

Pilar da cultura e assistência comunitária

Além da liderança espiritual e social, Roxita foi uma das maiores incentivadoras das expressões artísticas do Marajó. Através do apoio contínuo a grupos de carimbó, bois-bumbá e quadrilhas juninas, ela garantiu que as tradições locais permanecessem vibrantes e acessíveis às novas gerações. Sua residência era conhecida como um local de portas abertas, servindo de porto seguro para quem buscava cura física, espiritual ou apoio comunitário.

A partida da Pajé Roxita causa profunda comoção entre familiares, amigos e o povo marajoara, que veem nela o encerramento de um ciclo de saberes ancestrais raros. Sua missão, traduzida em anos de serviço voluntário e dedicação à cultura popular, permanece como um marco na história de Soure e uma inspiração para a defesa da identidade paraense.

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