Ministério da Pesca estima que El Niño possa afetar 360 mil pescadores na Amazônia
O avanço do fenômeno El Niño acendeu um sinal de alerta para a atividade pesqueira na Amazônia. De acordo com o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), aproximadamente 360 mil pescadores da região Norte poderão sofrer impactos caso se confirmem as previsões de uma nova estiagem severa nos próximos meses. A informação foi dada exclusivamente […]
O avanço do fenômeno El Niño acendeu um sinal de alerta para a atividade pesqueira na Amazônia. De acordo com o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), aproximadamente 360 mil pescadores da região Norte poderão sofrer impactos caso se confirmem as previsões de uma nova estiagem severa nos próximos meses. A informação foi dada exclusivamente à REVISTA CENARIUM, durante café da manhã com jornalistas, nesta quarta-feira, 24, em Brasília.
Segundo ele, o cálculo foi elaborado com base nos efeitos registrados durante as secas históricas de 2023 e 2024, quando cerca de 300 mil pescadores artesanais dos estados do Amazonas e Pará precisaram receber auxílio emergencial devido às dificuldades provocadas pela redução dos níveis dos rios.
Para o ministério, a preocupação vai além da atividade pesqueira. Em grande parte da Amazônia, os rios funcionam como principal rota de transporte para comunidades ribeirinhas, pescadores e produtores locais. Com a estiagem, embarcações enfrentam dificuldades para navegar, comprometendo o abastecimento de alimentos, o deslocamento entre municípios e o escoamento da produção.
Diante do cenário previsto para 2026, o governo federal informou que vem realizando um monitoramento integrado dos impactos climáticos por meio da Casa Civil, em articulação com diferentes ministérios e com apoio técnico do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
A expectativa do Executivo é utilizar a experiência acumulada durante as secas recentes para ampliar a capacidade de resposta. Entre as medidas adotadas anteriormente esteve o Auxílio Extraordinário da Seca, benefício que garantiu um pagamento adicional a pescadores afetados pela estiagem nos estados do Amazonas e Pará. Até o momento, porém, não há definição sobre a criação de uma nova rodada do auxílio ou sobre o número de beneficiários que poderão ser atendidos.
Segundo o ministro, os efeitos do El Niño tendem a variar de acordo com cada estado da Amazônia Legal. Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá e Tocantins podem registrar impactos distintos, o que exigirá avaliações específicas para direcionar as ações governamentais.
Dados do Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) apontam que a Amazônia Legal reúne mais de 1 milhão de pescadores artesanais cadastrados. O Pará concentra o maior número de registros, com mais de 432 mil trabalhadores, seguido pelo Maranhão, com cerca de 337 mil, e pelo Amazonas, com mais de 147 mil pescadores.
Paralelamente às ações de preparação para a estiagem, o Ministério da Pesca informou que mantém um processo de revisão e qualificação dos cadastros da categoria. A iniciativa busca aprimorar a base de dados utilizada para acesso a políticas públicas, além de combater registros irregulares identificados em investigações realizadas nos últimos anos.
Fenômeno climático associado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o El Niño costuma provocar redução das chuvas e aumento das temperaturas na Amazônia, favorecendo períodos de seca intensa. Nos últimos anos, esses eventos afetaram diretamente comunidades ribeirinhas, pescadores e agricultores, além de contribuírem para o aumento de queimadas e dificuldades logísticas em diversos municípios da região.
*Matéria realizada com informações do portal Revista Cenarium.