Investigação revela que prefeito defensor da redução do Parque do Jamanxim é réu em processos por desmatamento
Documentos obtidos pelo jornalista Adriano Wilkson mostram que Gelson Dill (MDB), prefeito de Novo Progresso, responde a ações do MPF que somam R$ 52 milhões em indenizações por danos ambientais na Amazônia. Uma investigação conduzida pelo jornalista Adriano Wilkson trouxe à tona detalhes sobre os interesses por trás da ofensiva parlamentar para reduzir em 40% […]
Documentos obtidos pelo jornalista Adriano Wilkson mostram que Gelson Dill (MDB), prefeito de Novo Progresso, responde a ações do MPF que somam R$ 52 milhões em indenizações por danos ambientais na Amazônia.
Uma investigação conduzida pelo jornalista Adriano Wilkson trouxe à tona detalhes sobre os interesses por trás da ofensiva parlamentar para reduzir em 40% a área da Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, no sudoeste do Pará. O centro da denúncia é o prefeito de Novo Progresso, Gelson Dill (MDB), que tem atuado em Brasília junto a lideranças políticas como o governador Helder Barbalho e o presidente da Câmara, Hugo Motta, sob o discurso de promover o desenvolvimento regional.
Contudo, documentos do Ministério Público Federal (MPF) e do IBAMA, revelados por Wilkson, apontam que o “desenvolvimento” defendido pelo gestor esbarra em crimes ambientais graves. Dill e seu irmão são alvos de uma ação recente do MPF que cobra R$ 52 milhões em indenizações por danos materiais e morais coletivos. Eles são acusados de impedir a regeneração de 3.317 hectares de mata nativa em áreas já embargadas pela fiscalização federal.
Gado em área embargada e uso de maquinário público
A investigação aponta que o prefeito, que também é pecuarista, manteria fazendas dentro dos limites da Flona Jamanxim. Durante fiscalizações, o IBAMA teria encontrado gado marcado com o ferro de Gelson Dill em áreas onde a floresta foi substituída por pastagem ilegal.
O ponto mais crítico da denúncia apresentada pelo jornalista envolve o uso de recursos públicos para fins privados e ilícitos: testemunhas e registros de fiscalização indicam que um trator, pertencente à Prefeitura de Novo Progresso, estaria sendo utilizado para realizar o desmatamento dentro das fazendas do próprio prefeito.
Histórico de infrações
Este não é um caso isolado. Segundo o levantamento de Adriano Wilkson, existem pelo menos outras duas ações civis públicas contra o gestor por derrubada de floresta amazônica, incluindo crimes ambientais cometidos dentro do Parque Nacional do Jamanxim.
A estratégia política de redução das unidades de conservação, conforme analisado na investigação, beneficiaria diretamente pecuaristas e grileiros que já ocupam áreas ilegais, permitindo a regularização de terras desmatadas criminosamente.
O portal Amazônia no Ar busca contato com a prefeitura de Novo Progresso e com o Governo do Estado para que se manifestem sobre as graves acusações de conflito de interesse e crimes ambientais citadas na investigação jornalística.