Obras no Pedral do Lourenço ameaçam sobrevivência de comunidades e biodiversidade única no Pará
O projeto de derrocamento do Pedral do Lourenço, em Itupiranga (PA), caminha para uma fase crítica com a previsão de instalação do canteiro de obras no segundo semestre deste ano. O objetivo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) é explodir o leito rochoso do Rio Tocantins para viabilizar o tráfego de grandes comboios […]
O projeto de derrocamento do Pedral do Lourenço, em Itupiranga (PA), caminha para uma fase crítica com a previsão de instalação do canteiro de obras no segundo semestre deste ano. O objetivo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) é explodir o leito rochoso do Rio Tocantins para viabilizar o tráfego de grandes comboios de carga, ampliando a exportação de minérios, gado e grãos.
Entretanto, para os ribeirinhos que habitam as margens do “Lourenção”, cânions subaquáticos que chegam a 80 metros de profundidade, a obra representa o fim de um modo de vida. Lideranças locais ouvidas pela reportagem e pela Mongabay Brasil alertam que o projeto pode “matar o peixe e o pescador”. Além da pesca, o pedral é uma rota de navegação tradicional e possui profundo valor espiritual para as comunidades da região.
Estudos sob suspeita e comunidades ignoradas
Um dos pontos centrais da resistência é a metodologia dos estudos socioambientais. O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e lideranças quilombolas denunciam que cerca de 61 mil pessoas que vivem nas proximidades do rio foram subestimadas ou simplesmente ignoradas. Segundo os críticos, 69% dos entrevistados para o licenciamento eram da área urbana de Itupiranga, o que teria “mascarado” os impactos reais sobre as comunidades rurais e tradicionais, classificadas erroneamente como “não impactadas”.
O Pedral do Lourenço é considerado um santuário de reprodução, abrigando espécies endêmicas que só existem naquele trecho de 40 quilômetros de extensão.
Tensão e mobilização popular
A pressão sobre o DNIT, órgão que também enfrenta questionamentos por obras em outras áreas sensíveis da Amazônia, como a BR-319, tem gerado protestos intensos. Em março, manifestantes ocuparam a sede do órgão em Marabá e interditaram trechos da Rodovia Transamazônica.
Embora o derrocamento tenha recebido licença ambiental, o caso segue judicializado. Enquanto o setor produtivo aguarda as detonações previstas para 2027 como um marco para a economia paraense, as populações do Tocantins lutam para que o progresso não signifique o soterramento de sua história e de sua segurança alimentar.
O jornal Amazônia no Ar solicitou posicionamento do IBAMA, MPF e DNIT sobre os avanços na área e aguarda retorno. O espaço segue aberto.
*Matéria realizada com informações do portal Clima.Info.