El Niño pode atingir intensidade inédita e alterar padrões climáticos globais, alerta ECMWF
A mais recente atualização do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) acendeu um alerta definitivo entre meteorologistas e autoridades públicas. As novas projeções para o ciclo final de 2026 e início de 2027 do El Niño indicam um cenário de aquecimento excepcional das águas do Oceano Pacífico Equatorial, com intensidade capaz de […]
A mais recente atualização do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) acendeu um alerta definitivo entre meteorologistas e autoridades públicas. As novas projeções para o ciclo final de 2026 e início de 2027 do El Niño indicam um cenário de aquecimento excepcional das águas do Oceano Pacífico Equatorial, com intensidade capaz de superar todos os registros observados na era moderna.
Os dados ganharam força após a superação da chamada “barreira da previsibilidade” entre março e maio, período em que as rápidas mudanças na atmosfera costumam gerar erros amplificados nas projeções de longo prazo.
Segundo as estimativas analisadas pelo meteorologista Jeff Berardelli a partir de um conjunto de 50 simulações, as anomalias de temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 deverão permanecer acima de 2°C a partir de julho. O aquecimento deve se intensificar gradualmente até atingir cerca de 3°C acima da média histórica no final do ano, com modelos individuais mais extremos sugerindo picos superiores a 4°C entre outubro e novembro. Para efeito de comparação, um El Niño é considerado moderado quando as anomalias ficam entre 1°C e 1,5°C.
Especialistas em clima da MetSul fazem uma ressalva técnica importante: o modelo do centro europeu utiliza como base a climatologia do período de 1981-2010. Por não adotar o novo índice relativo da Administração Atmosférica e Oceânica dos Estados Unidos (NOAA), que desconta o aquecimento global recente, a projeção europeia pode inflar parcialmente o sinal de calor. Ainda assim, o consenso científico aponta para um evento global de enorme magnitude e com potencial de impactos severos.
O impacto geográfico e a crise hídrica no Brasil
A configuração deste El Niño histórico promete redesenhar o regime de chuvas no território brasileiro ao longo do segundo semestre. Na Região Sul, a previsão aponta para um cenário de severas tempestades, com volumes acumulados superando a média em mais de 50 mm mensais durante todo o período.
No sentido inverso, o Norte e o Nordeste do País devem sofrer com o agravamento imediato da estiagem. A partir de novembro, o déficit de umidade avança também sobre o Centro-Oeste e o Sudeste, ligando o sinal de alerta para a quebra de produtividade da safra agrícola. A situação é especialmente crítica em São Paulo, onde a crise hídrica já é uma realidade: no início de junho de 2026, o Sistema Cantareira operava em nível de atenção, com menos de 40% de sua capacidade total de armazenamento.
Brasília articula ações emergenciais e busca crédito extra
Diante do risco iminente de desastres climáticos na Amazônia e demais biomas, o Governo Federal mantém uma sala de situação ativa para centralizar as estratégias de contingência. O plano desenhado pelo governo federal prevê uma força-tarefa interministerial, mobilizando as forças de segurança pública e auditoria para apoio na fiscalização, o Ministério da Defesa no suporte logístico e a pasta dos Transportes no controle das rodovias em áreas críticas.
A gravidade do panorama meteorológico, contudo, deve exigir fôlego financeiro extra. O Ibama e o ICMBio estimam a necessidade de um aporte de aproximadamente R$ 200 milhões em créditos extraordinários para recompor perdas orçamentárias e garantir o fardamento e atuação das brigadas. Como medida preventiva de curto prazo, a gestão federal efetuou o repasse de R$ 150 milhões do Fundo Amazônia para subsidiar a compra de equipamentos de combate a incêndios florestais em seis estados localizados nas regiões do Pantanal e do Cerrado.
*Matéria realizada com informações do portal Clima.info.