O que está acontecendo na Amazônia? 25 de maio de 2026

Corrida contra a seca: Como os estados amazônicos estão se preparando para o El Niño mais forte da história

Levantamento do Amazônia no Ar revela estratégias de enfrentamento na região; Amazonas e Maranhão detalham planos robustos, enquanto Acre foca em monitoramento técnico. Com a perspectiva de que o fenômeno Super El Niño 2026/2027 possa se tornar o mais intenso da história moderna, o portal Amazônia no Ar solicitou posicionamento oficial de todas as Secretarias […]

Levantamento do Amazônia no Ar revela estratégias de enfrentamento na região; Amazonas e Maranhão detalham planos robustos, enquanto Acre foca em monitoramento técnico.

Com a perspectiva de que o fenômeno Super El Niño 2026/2027 possa se tornar o mais intenso da história moderna, o portal Amazônia no Ar solicitou posicionamento oficial de todas as Secretarias de Meio Ambiente dos nove estados que compõem a Amazônia Legal. O objetivo foi mapear medidas de mitigação, planos de contingência e proteção de comunidades vulneráveis diante do cenário de seca extrema e risco de incêndios florestais.

Até o momento, apenas cinco estados, Amazonas, Maranhão, Pará, Roraima e Acre enviaram dados sobre suas estruturas de resposta. As pastas de Meio Ambiente do Amapá, Mato Grosso, Rondônia e Tocantins não retornaram aos questionamentos até o fechamento desta edição, mantendo o silêncio sobre o planejamento para um dos maiores desafios climáticos das últimas décadas.

Amazonas e Maranhão: Monitoramento 24h e ação climática

O Amazonas apresenta o planejamento mais capilarizado, com um Comitê Permanente formado por 33 órgãos. Com probabilidade de ocorrência do fenômeno superior a 80%, o estado foca no abastecimento de água potável via “Projeto Água Boa” e na “Operação Tamoiotatá”, que combate queimadas em 11 municípios prioritários. O efetivo do Corpo de Bombeiros cresceu 123%, saltando para mais de 1,5 mil militares.

Leia a nota na íntegra:

O Governo do Amazonas informa que instituiu, ainda em 2025, o Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, formado por 33 secretarias, órgãos e entidades estaduais, para coordenar, planejar e executar ações de prevenção e pronta-resposta diante de fenômenos extremos.

Modelos meteorológicos acompanhados diariamente pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema/AM) indicam aumento da probabilidade de formação do fenômeno El Niño a partir do segundo semestre de 2026. Segundo a Agência Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), a chance de ocorrência pode ultrapassar 80% nesse período.

Para o Amazonas, o cenário pode resultar em redução do volume de chuvas, aumento das temperaturas, intensificação da estiagem e maior risco de queimadas. Os impactos, no entanto, variam de acordo com a intensidade do fenômeno climático.

A Defesa Civil do Amazonas, por meio do Centro de Monitoramento e Alerta (Cemoa), acompanha de forma permanente os indicadores hidrometeorológicos e, desde o mês de abril, vem realizando reuniões com diversas entidades, órgãos e setores estratégicos para apresentar o prognóstico hidrometeorológico do segundo semestre de 2026, alinhando ações preventivas e estratégias de resposta diante de possíveis cenários adversos.

Diante disso, o Governo do Estado, por meio da Defesa Civil do Amazonas, tem ampliado a estrutura do Projeto Água Boa, a fim de garantir o abastecimento de água potável em comunidades ribeirinhas e rurais, com mais de 800 sistemas em operação, em especial em áreas de difícil acesso. Somente em 2026, o órgão já enviou 125 kits de purificadores de água para 21 municípios do estado. A iniciativa tem como objetivo minimizar os impactos da crise hídrica enfrentada durante os períodos de cheia e estiagem, garantindo acesso à água potável para milhares de famílias do interior.

Por meio do Comitê Permanente, o Estado monitora a necessidade de assistência básica aos municípios, junto às Prefeituras, enquanto a Sema/AM acompanha especificamente as 42 Unidades de Conservação do Estado, que são os territórios de gestão direta da pasta.

Em outra ponta, o Estado mantém ativa, de forma ininterrupta, a Operação Tamoiotatá, que durante a estiagem concentrará os esforços na contenção de incêndios florestais, que podem aumentar durante o período. A atuação irá focar, sobretudo, em 11 municípios prioritários, que historicamente acumulam maiores ocorrências: Lábrea, Apuí, Novo Aripuanã, Boca do Acre, Manicoré, Canutama, Humaitá, Maués, Autazes, Tapauá, Manaus e Itapiranga.

O Estado também está em fase final de elaboração do seu Plano de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas, que irá sistematizar ações estratégicas já existentes e definir novas diretrizes, metas e mecanismos de monitoramento para o médio e longo prazo. A previsão de conclusão é setembro de 2026.

O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), pontua que, entre maio de 2025 e maio de 2026, o número de municípios com bases permanentes da corporação mais que dobrou, passando de 11 para 24 cidades, dessas, 13 com Grupamentos Integrados de Combate a Incêndio e Proteção Civil (GCIP). Cada novo município também recebeu uma viatura com capacidade para 10 mil litros de água. Entre 2019 e 2025, o CBMAM saiu de 692 servidores para 1.537 militares na corporação. Um aumento de 123%, reflexo da realização do concurso público para a corporação em 2021, o primeiro em 11 anos.

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) também vem fortalecendo a estrutura do Centro de Monitoramento Ambiental e Áreas Protegidas do Amazonas (CMAAP), inaugurado em novembro de 2021. O centro realiza monitoramento contínuo de focos de calor, queimadas, desmatamento e pressão ambiental em áreas protegidas, utilizando imagens de satélite, geotecnologias, painéis de acompanhamento em tempo real e sistemas integrados de análise territorial. As informações subsidiam operações de fiscalização, emissão de alertas e tomada de decisão diante de eventos climáticos extremos, como a possível ocorrência do Super El Niño.

Além disso, o centro integra as estratégias previstas no Plano de Ação e Controle do Desmatamento e Queimadas do Amazonas (PACMAAP 2025-2028), fortalecendo as ações de prevenção, monitoramento e resposta rápida aos impactos ambientais intensificados pelas mudanças climáticas.

Assessoria de Comunicação
Secretaria de Estado do Meio Ambiente – SEMA

No Maranhão, as ações são coordenadas pelo Centro de Prevenção de Desastres Ambientais (CPDAm), com monitoramento 24 horas. O estado destaca o respaldo da Lei Estadual nº 12.301/2024 e a atualização do Plano Estadual de Combate à Desertificação. Apesar do alerta de “alto impacto”, o governo maranhense avalia que não há dependência de logística fluvial para o abastecimento essencial.

Leia a nota na íntegra:

Fonte: SEMA

21/5/2026

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais do Maranhão (SEMA/MA) possui, em sua estrutura de gestão, o Centro de Prevenção de Desastres Ambientais (CPDAm), que opera a Sala de Situação de Monitoramento Geo-hidro-meteorológico. O CPDAm/Sala de Situação monitora os fenômenos e as condições ambientais em território maranhense 24 horas por dia, informando esse acompanhamento por meio de boletins diários e mensais, relatórios técnicos e alertas emergenciais, os quais também ficam disponíveis no site da SEMA e são enviados aos órgãos responsáveis pelas respostas aos eventos, subsidiando a tomada de decisão.

A SEMA/CPDAm é responsável pela validação do Monitor de Secas, programa da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) para o Maranhão, e, para tanto, interage com órgãos como SAGRIMA, SAF, Defesa Civil e SENAR, visando o acompanhamento dos impactos de curto, médio e longo prazo dos efeitos da seca.

O monitoramento oceânico mais recente confirma que o El Niño 2026/2027 está se desenvolvendo abaixo da superfície do oceano. Novas simulações de modelos conjuntos dos Centros de Clima da Europa (ECMWF), dos Estados Unidos (NOAA) e da Austrália (BOM) convergem para uma trajetória de alto impacto, com várias previsões sugerindo que o evento poderá se tornar o El Niño mais forte da história moderna. Porém, essas previsões ainda possuem baixa confiabilidade no longo prazo. Os impactos de cada El Niño no regime de secas podem variar e, para a região Nordeste do país, esse padrão é atribuído à influência combinada do El Niño e do aquecimento anômalo da superfície do Atlântico Tropical Norte, bem como de processos não climáticos, como mudanças no uso e cobertura da terra.

O estabelecimento do El Niño em condições de impactar negativamente o Maranhão deve ocorrer no período em que já é esperada redução significativa das chuvas no estado, entre os meses de junho/julho até abril/maio, dependendo da região. Portanto, tanto a sociedade quanto o ambiente já operam em condições adversas nesse período.

As mudanças climáticas têm promovido alterações nos padrões de ocorrência dos fenômenos. Diante disso, foi promulgada a Lei Estadual nº 12.301/2024, que instituiu a Política Estadual de Enfrentamento das Mudanças Climáticas no Maranhão, dando arcabouço legal para ações voltadas à mitigação dos efeitos dessas mudanças. Assim, está em curso a atualização do Plano Estadual de Combate à Desertificação e aos Efeitos da Seca, bem como o lançamento do Plano de Ação Climática Estadual.

Além desses instrumentos, já está em aplicação o PPCDQ-MA (Plano de Prevenção e Combate ao Desmatamento e às Queimadas do Estado do Maranhão), que possui diretrizes específicas e estratégicas para mitigar uma das consequências mais nefastas da seca, que são os incêndios florestais.

Planos de contingência são estabelecidos e operados pelos órgãos de resposta a emergências, cabendo à SEMA fornecer as informações técnicas que possam subsidiar as decisões.

Mesmo com a possibilidade de a seca atingir a condição de seca hidrológica, o estado não depende da navegabilidade para logística de abastecimento e distribuição de medicamentos.

Acre: inteligência de dados e gabinete de crise

O Acre informou que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) atua como o braço técnico do Gabinete de Crise Hídrica, através do CIGMA e da Sala de Situação (SISMA). Com prognósticos que indicam até 92% de chance de configuração do El Niño entre julho e agosto, o estado antecipou o planejamento para evitar desabastecimento de alimentos em comunidades indígenas e combater preços abusivos de itens essenciais. No próximo dia 28 de maio, o governo realizará a reunião técnica “Pré-Seca 2026” para alinhar estratégias logísticas e de saúde pública.

Leia a nota na íntegra:

Pará e Roraima: Foco em brigadas e prevenção

No Pará, a prioridade é o monitoramento contínuo integrado à Defesa Civil e ao Corpo de Bombeiros. A principal ferramenta é o Programa Estadual de Prevenção e Combate às Queimadas (PEPIF), que atualmente realiza processos seletivos para brigadas florestais voluntárias, visando reforçar o combate ao fogo em áreas críticas.

Leia a nota na íntegra:

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas) informa que monitora periodicamente os prognósticos relacionados a ocorrência de fenômenos climáticos, como o El Nino e sua relação com as chuvas no Estado e envia os dados ao Corpo de Bombeiros Militar do Pará (CBMPA) e à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do Pará (CEDEC). A secretaria também atua com o Programa Estadual de Prevenção e Combate às Queimadas e Incêndios Florestais (PEPIF) que, atualmente, conta com um processo seletivo para brigadas florestais, com o objetivo de fortalecer a atuação do Estado nas ações de prevenção e combate aos impactos causados pelo fogo em áreas prioritárias.

Em Roraima, o Corpo de Bombeiros utiliza protocolos gerais de eventos extremos. Embora o estado admita que não há um aporte financeiro extra específico para este Super El Niño, recursos serão mobilizados conforme a ativação do Gabinete Integrado Emergencial. O planejamento inclui articulação com a Marinha para garantir a trafegabilidade em cenários de isolamento.

Leia a nota na íntegra:

Transparência

A ausência de respostas de estados como Mato Grosso e Rondônia, regiões que historicamente lideram índices de queimadas durante secas severas, levanta preocupações sobre a transparência do planejamento regional. O fenômeno Super El Niño 2026/2027 exige uma coordenação transfronteiriça que supere burocracias estaduais para proteger o bioma e as populações que nele vivem.

O jornal Amazônia no Ar reforça que o espaço permanece aberto para as manifestações das Secretarias de Meio Ambiente que ainda não enviaram seus planos.

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