O que está acontecendo na Amazônia? 19 de junho de 2026

Comunidade Maribel cobra reconhecimento e política públicas na Foz do Iriri; Prefeitura de Altamira (PA) aponta serviços ativos

Moradores da comunidade Maribel, localizada em Altamira, no sudoeste do Pará, afirmam enfrentar uma situação de isolamento institucional após a área passar a integrar os limites da Terra Indígena Cachoeira Seca, homologada em 2016. Formada por famílias extrativistas e beiradeiras que ocupam a região desde a década de 1940, a população reivindica o reconhecimento de […]

Moradores da comunidade Maribel, localizada em Altamira, no sudoeste do Pará, afirmam enfrentar uma situação de isolamento institucional após a área passar a integrar os limites da Terra Indígena Cachoeira Seca, homologada em 2016.

Formada por famílias extrativistas e beiradeiras que ocupam a região desde a década de 1940, a população reivindica o reconhecimento de sua identidade tradicional e o acesso a infraestruturas básicas, como energia elétrica. Em resposta, a Prefeitura de Altamira detalhou os serviços de saúde e assistência social que mantém na localidade.

A história de Maribel remonta ao período da Segunda Guerra Mundial, com o estabelecimento de migrantes nordestinos recrutados como “soldados da borracha”. Hoje, representadas pela Associação dos Extrativistas do Rio Iriri-Maribel (AERIM), as famílias vivem da coleta de castanha, açaí, óleos naturais e da pesca de subsistência. A comunidade atua como ponto de apoio estratégico para serviços de educação e saúde e para o escoamento da produção de outras populações ribeirinhas e indígenas ao longo do Rio Iriri.

Gargalos na infraestrutura e classificação fundiária

Apesar do papel logístico na região, a AERIM relata que a inclusão do território na demarcação indígena criou barreiras para o acesso a programas públicos. A principal demanda atual é a eletrificação. Conforme os moradores, Maribel permanece excluída de iniciativas como o Luz para Todos e o Luz da Floresta, o que compromete o armazenamento de medicamentos e o funcionamento de espaços comunitários.

Outro ponto contestado pela associação é a frequente classificação dos moradores como “invasores” em discussões sobre conflitos fundiários. A comunidade sustenta que a ocupação precede a homologação da Terra Indígena e ressalta que o pleito por direitos básicos e reconhecimento não se opõe aos direitos territoriais dos povos indígenas locais.

Atendimento municipal e desafios geográficos

Procurada para se posicionar sobre as demandas, a Prefeitura de Altamira informou que mantém estratégias de atendimento voltadas às particularidades geográficas da região, cujo acesso é predominantemente fluvial. Na área da assistência social, a Secretaria Municipal de Assistência e Promoção Social (Semaps) confirmou a presença de uma entrevistadora social do Cadastro Único (CadÚnico) e do Bolsa Família em Maribel, com mutirões agendados para os dias 23 e 24 de junho na Emeif São Francisco.

Na área da saúde, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informou que a localidade conta com um Posto de Saúde ativo. A unidade oferece atendimento de enfermagem, dispensação de medicamentos, diagnóstico e tratamento de malária, além de suporte para urgências e emergências. A gestão municipal destacou que o setor de Saúde de Áreas Rurais e Rios coordena o envio de insumos e planeja ações com equipes multiprofissionais em períodos programados.

Para expandir a cobertura nas áreas de difícil acesso, o Executivo municipal citou iniciativas como o fortalecimento da Atenção Primária, a ampliação do número de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e a implementação de serviços de telemedicina para populações ribeirinhas. A prefeitura comunicou ainda que realiza um levantamento técnico sobre a situação dos serviços de educação ofertados na localidade.

O jornal Amazônia no Ar solicitou posicionamento sobre as demarcações de terras indígenas no local à Funai e Incra. Ademais, foi entrado em contato com o MPF acerca dessa invisibilidade perante às políticas públicas apontadas na denúncia. Até o momento nenhum dos órgãos respondeu, mas o espaço permanece aberto.

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