Com 80% de chance de retorno do El Niño, países amazônicos reforçam cooperação para proteger a floresta
Representantes de países amazônicos se reuniram nesta semana, na Alemanha, para discutir estratégias de cooperação regional voltadas à proteção da Amazônia diante da possibilidade de um novo episódio do fenômeno El Niño. O encontro foi convocado pela Embaixada da Colômbia na Alemanha e pela Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). A reunião ocorreu em […]
Representantes de países amazônicos se reuniram nesta semana, na Alemanha, para discutir estratégias de cooperação regional voltadas à proteção da Amazônia diante da possibilidade de um novo episódio do fenômeno El Niño. O encontro foi convocado pela Embaixada da Colômbia na Alemanha e pela Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).
A reunião ocorreu em meio ao alerta de que há 80% de probabilidade de ocorrência do fenômeno entre junho e agosto de 2026, segundo estimativas da Organização Meteorológica Mundial. As projeções indicam ainda que o evento pode atingir intensidade forte ou muito forte, aumentando os riscos de seca extrema, incêndios florestais e degradação ambiental na maior floresta tropical do planeta.
O principal tema debatido durante o encontro foi o Manejo Integrado do Fogo, estratégia considerada fundamental para reduzir os impactos das queimadas sobre a biodiversidade, a saúde pública e a segurança dos territórios amazônicos.
A preocupação dos participantes tem como base os efeitos registrados em 2024, quando a Amazônia enfrentou uma combinação de seca severa, desmatamento e incêndios. O cenário foi classificado por especialistas como uma “tempestade perfeita“, que provocou impactos ambientais e sociais em diversos países da região.
Além da importância ecológica da floresta, a Amazônia desempenha papel estratégico na regulação do clima e do ciclo hidrológico da América do Sul. Os chamados rios voadores, formados pela evaporação da água da floresta e transportados para outras regiões do continente, contribuem para o abastecimento hídrico de diferentes ecossistemas, incluindo áreas de altitude nos Andes.
Em comunicado divulgado após a reunião, a OTCA destacou que a Amazônia vive uma transformação estrutural no regime de incêndios, impulsionada pelas mudanças climáticas, pela degradação florestal e pela rápida alteração das paisagens naturais.
Segundo a organização, o enfrentamento desse cenário exige cooperação diplomática, monitoramento integrado, ações preventivas, fortalecimento das capacidades locais, financiamento contínuo e valorização dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas e das comunidades amazônicas. O encontro também contou com a participação de cientistas colombianos, que apresentaram estudos sobre a conservação da floresta e os riscos associados ao agravamento dos eventos climáticos extremos.
Além da Colômbia, outros países amazônicos apresentaram avanços em iniciativas conjuntas de monitoramento e manejo do fogo. Entre eles estão Brasil, Bolívia, Equador e Peru, que vêm desenvolvendo mecanismos de cooperação transnacional para prevenir incêndios e conter o avanço do desmatamento.
Ao final da reunião, os participantes defenderam o aprofundamento da cooperação regional e internacional para fortalecer a preparação da Amazônia diante dos riscos climáticos previstos para o ciclo de 2026 e 2027.
O Jornal Amazônia no Ar solicitou posicionamento ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e à Secretaria Nacional de Mudança do Clima (SMC) para saber quais medidas estão sendo planejadas pelo governo federal para proteger a Amazônia diante da possibilidade de um novo episódio do El Niño. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação dos órgãos.
*Matéria realizada com informações do portal InfoAmazonia e El Espectador.