O que está acontecendo na Amazônia? 28 de agosto de 2025

Boieira do Ver-o-Peso denuncia que período de reforma do mercado trouxe prejuízos aos feirantes: “Fui à falência”

Feirantes afirmam que enfrentaram prejuízos, dificuldades de acesso e calor intenso na nova área

A recente reforma do Mercado Ver-o-Peso, em Belém, trouxe desafios significativos para feirantes, principalmente as boeiras — mulheres responsáveis pela culinária tradicional do local. Entre elas, Dona Osvaldina, que há décadas trabalha no local, relatou ter enfrentado prejuízos tão grandes que chegou à falência durante o período de obras da área em que atua.

“Nós não vendíamos nada… até hoje eu não consegui pagar minha dívida toda.”

A realocação provisória das barracas dificultou as vendas e gerou desperdício de alimentos, afetando várias barracas:

“Não fui só eu não, muita gente ali foi à falência.”

Dificuldades de acesso e condições desfavoráveis

Além do impacto financeiro, Dona Osvaldina destacou problemas de acesso e condições desfavoráveis na nova área de trabalho, especialmente em relação ao calor intenso. Ela relatou também a dificuldade de obter respostas da Prefeitura e Secretaria Municipal de Urbanismo (SEURB):

“A prefeitura não dá nem confiança pra gente. Quem briga mais? Lá sou eu.”

A cozinheira explicou o esforço para se manter financeiramente mesmo diante das perdas:

“Eu tenho muito crédito, comecei a pegar e pagando, vendendo e pagando, assim que tô fazendo até hoje, porque o negócio não tá fácil, né?”

Recuperação e expectativas futuras

Com a entrega das novas barracas, as feirantes começaram a retomar as vendas, ainda que os dias de semana tenham movimento reduzido:

“Agora a gente tá trabalhando, é mais fim de semana, mas dá pra gente ir pagando as quantias da gente.”

Dona Osvaldina mantém expectativa de recuperação, especialmente com eventos futuros como a COP:

“Se Deus quiser pra gente ganhar um dinheiro, que negócio não tá fácil não.”

Relatos e reclamações de trabalhadores do Ver-o-Peso

No inicio do mês de agosto, permissionários do setor de ervas também reclamaram das obras no local. No caso das erveiras do Ver-o-Peso, a reclamação foi sobre as condições das barracas após a entrega da obra, que no caso deste setor, aconteceu no dia 17 de julho.

Na época, nossa equipe conversou com Maria Loura, representante do setor de ervas medicinais e secretária-geral da associação, que relatou que, após a reforma, os feirantes parte das barracas ficaram expostas ao sol e à chuva, prejudicando trabalhadores e mercadorias, que já sofreram danos desde as primeiras chuvas após a entrega do espaço.

Em nota, a secretaria informou: “O toldo do setor de ervas será colocado em setembro, juntamente com o prolongamento do mesmo, para evitar os danos causados pelas pancadas de chuva. Em relação ao projeto da obra, ele foi submetido ao IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – e segue o que foi determinado pelo Instituto, levando em consideração, também, a quantidade de permissionários do local.”

Veja o vídeo:

Ver essa foto no Instagram

Uma publicação compartilhada por BTAMAZONIA (@btamazonia)

O que diz a Prefeitura de Belém?

A equipe do BT Amazônia conversou com a Prefeitura de Belém e com a Secretaria Municipal de Urbanismo (SEURB) sobre o caso. Confira a nota na íntegra:

A prefeitura de Belém afirma que: “Em relação ao ordenamento dos trabalhadores durante as obras que se encontram em fase final no Complexo Ver-o-Peso (mais de 90%), a Sedcon atua em constante diálogo com os permissionários. Todo o planejamento de remanejamento dos feirantes para locais provisórios durante a reforma foi e continua sendo programado com a concordância dos comerciantes. A Sedcon se coloca à disposição diariamente dos permissionários para ouvir queixas e ideias durante rondas realizadas por todos os setores do Ver-o-Peso.

Já a Secretaria de Obras e Infraestrutura (Seinfra), responsável pelas obras do Complexo, destaca que em toda reforma dessa magnitude, ajustes e adequações são necessários durante o processo. O clima equatorial de Belém, marcado pelo calor intenso e pelas chuvas com ventos fortes, foi considerado no planejamento da Seinfra. Para amenizar o impacto, novas coberturas foram projetadas dentro das normas e autorizadas pelo Iphan, já que toda a área do Complexo Ver-o-Peso foi tombada como patrimônio histórico desde 1977. As coberturas estão recebendo prolongamentos adicionais, atualmente em implantação, para ampliar a proteção térmica e garantir maior conforto aos trabalhadores e frequentadores.

A Prefeitura, por meio da Seinfra e Sedcon, reafirma o compromisso em entregar e ordenar um espaço mais seguro, moderno e digno para os permissionários e para a população, consolidando o Ver-o-Peso como símbolo de identidade cultural, turística e econômica de Belém.”


Já segue o BT Amazônia no Instagram? Clique aqui

  • Compartilhar em:

Veja também