O que está acontecendo na Amazônia? 18 de maio de 2026

Abate de 5 mil búfalos expõe rastro de abandono de uma introdução forçada pelo agronegócio em Rondônia

A Justiça Federal autorizou o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) a retomar a operação estratégica de erradicação de búfalos invasores em Rondônia. O projeto, que havia sido alvo de questionamentos, foca na remoção total de uma população estimada em 5 mil animais que ocupam irregularmente unidades de conservação no oeste do estado, […]

A Justiça Federal autorizou o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) a retomar a operação estratégica de erradicação de búfalos invasores em Rondônia.

O projeto, que havia sido alvo de questionamentos, foca na remoção total de uma população estimada em 5 mil animais que ocupam irregularmente unidades de conservação no oeste do estado, em uma área de transição vital entre a Floresta Amazônica, o Pantanal e o Cerrado.

Considerada por analistas ambientais como a única solução viável para conter o desastre ecológico na região, a operação utiliza o abate controlado. Por serem nativos da Ásia e não possuírem predadores naturais no Brasil, os búfalos se reproduziram sem controle desde que foram abandonados em 1953, após o fracasso de um projeto econômico estatal.

Atualmente, o pisoteio desses animais, que chegam a pesar mais de 500 quilos, compacta o solo e desvia o curso de águas, transformando áreas de buritizais em verdadeiros “cemitérios” de árvores mortas e provocando a seca de lagoas naturais.

Ciência e logística

A operação enfrenta desafios geográficos e sanitários. Devido ao isolamento das reservas, como a Rebio Guaporé, o transporte de animais vivos é logisticamente inviável. Além disso, a ausência de controle sanitário ao longo de décadas impede o aproveitamento da carne para consumo humano.

Por essa razão, controladores de fauna especializados realizam o abate no local, enquanto pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) coletam amostras biológicas para estudar possíveis doenças e monitorar o impacto das carcaças no ecossistema por meio de câmeras e análises de água.

Preservação da fauna nativa

Um dos pontos centrais que sustentam a necessidade da medida é a proteção do cervo-do-pantanal, espécie ameaçada de extinção que vem perdendo espaço para os invasores. Monitoramentos por drones confirmam que a agressividade e o porte dos búfalos expulsam a fauna nativa de seus habitats originais.

Com o aval judicial, o ICMBio espera concluir o cronograma de erradicação para permitir que o solo e a vegetação iniciem um processo de recuperação que, segundo especialistas, pode levar até um século para ser concluído.

O jornal solicitou nota ao IBAMA E ICMBio e aguarda retorno.

*Matéria realizada com informações do portal G1 Rondônia e Folha de São Paulo.

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