Alessandra Munduruku é destaque na capa da Vogue Brasil e leva a voz das mulheres indígenas à COP30
Alessandra Korap usa vestido Neriage e Colete e coroa Labo Young — Foto: Vogue Brasil/ Gil Inoue A imagem de Alessandra Munduruku, mulher indígena do povo Munduruku, nasceu na beira do rio Tapajós e tornou-se uma das principais vozes em defesa dos povos originários e da floresta, agora ocupa um novo espaço de poder: a […]
Alessandra Korap usa vestido Neriage e Colete e coroa Labo Young — Foto: Vogue Brasil/ Gil Inoue
A imagem de Alessandra Munduruku, mulher indígena do povo Munduruku, nasceu na beira do rio Tapajós e tornou-se uma das principais vozes em defesa dos povos originários e da floresta, agora ocupa um novo espaço de poder: a capa digital da Vogue Brasil.
Em plena COP30, realizada em Belém do Pará, Alessandra estampa uma das revistas mais influentes do mundo com uma mensagem que ecoa muito além da moda:
“A nossa luta é pelo futuro da nossa mãe Terra. Precisamos pensar em um modelo de desenvolvimento que não destrua a floresta, que não ataque o nosso rio. Não existe planeta B.”
A presença de Alessandra na capa da Vogue é mais do que um reconhecimento individual — é um marco coletivo. Representa a força das mulheres indígenas que têm ocupado espaços de fala e decisão antes inacessíveis, levando suas histórias, saberes e denúncias para o centro do debate climático global.

Foto: Vogue Brasil/ Gil Inoue
Da beira do Tapajós ao palco do mundo
Filha do rio e da floresta, Alessandra começou a militar ainda jovem, quando percebeu que grandes empreendimentos estavam impedindo seu povo de acessar os lugares sagrados onde sempre viveram.
Em 2013, liderou mobilizações contra a construção de hidrelétricas no Tapajós, iniciando uma trajetória que a transformou em referência nacional e internacional.
Hoje, ela leva a Amazônia ao mundo — e o mundo à Amazônia — como participante da COP30, onde dialoga com lideranças, cientistas e governos sobre justiça climática, demarcação de terras e direitos dos povos originários.
Sua voz já atravessou fronteiras. Alessandra recebeu o Prêmio Robert F. Kennedy de Direitos Humanos (2020) e o Prêmio Goldman (2023), considerado o “Nobel do Meio Ambiente”.
“Quando ganhei o primeiro prêmio internacional, percebi que minha voz atravessou oceanos. Mas também percebi o quanto ela incomoda quem destrói a floresta. Foi quando entendi que o silêncio não é uma opção”, disse em entrevista à Vogue.
Moda, ancestralidade e futuro
A edição da Vogue propõe um diálogo entre moda e sustentabilidade, com estilistas brasileiros entrevistando a ativista. Alessandra defende que a moda deve olhar para os territórios e reconhecer a sabedoria dos povos que vivem em harmonia com a natureza.
“A moda tem o poder de contar histórias. Ela precisa mostrar o Brasil real — o Brasil que pede socorro, que luta pela demarcação das terras, pela vida dos rios e das florestas.”
Nas fotos, Alessandra veste criações de marcas brasileiras como Neriage, Avellar, Catarina Mina e Apartamento 03, todas engajadas em práticas éticas e sustentáveis. Mais do que estética, a escolha das roupas simboliza a possibilidade de uma moda que respeita a terra e valoriza os saberes ancestrais.

Foto: Vogue Brasil/ Gil Inoue
As mulheres que movem a floresta
Em sua fala, Alessandra destaca o papel das mulheres indígenas como pilares da resistência e da continuidade da vida. “Hoje nós, mulheres, estamos decidindo junto com os homens. A luta é de mãos dadas”, afirma.
Para ela, a força vem das mulheres que seguem firmes no território, preservando a cultura e transmitindo conhecimento — nomes como Maria Leusa Kaba Munduruku, Ediene Kirixi Munduruku e Ana Poxo Munduruku, que, mesmo longe dos holofotes, mantêm viva a ancestralidade do povo Munduruku.
Amazônia é uma mulher
A capa da Vogue com Alessandra Munduruku em plena COP30 é um símbolo de transformação. Mostra que a Amazônia tem rosto, tem voz e tem gênero.
E lembra que lutar pela floresta é, também, lutar pelas mulheres que a habitam e a mantêm viva.
Em tempos em que o planeta discute metas climáticas, Alessandra nos devolve à origem:
“O rio é um ser vivo. Ele tem casa, tem história, tem memória. E nós precisamos ouvir o rio.”