O que está acontecendo na Amazônia? 27 de junho de 2026

Ufopa conquista patente para transformar caule do açaizeiro em painéis de alta resistência

Um resíduo do manejo do açaí que antes era descartado na floresta acaba de se tornar oficialmente um ativo de propriedade intelectual da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu a carta-patente para a invenção “Painéis de caule do Açaizeiro (Euterpe sp.)”, tecnologia que transforma a parte […]

Um resíduo do manejo do açaí que antes era descartado na floresta acaba de se tornar oficialmente um ativo de propriedade intelectual da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu a carta-patente para a invenção “Painéis de caule do Açaizeiro (Euterpe sp.)”, tecnologia que transforma a parte mais densa e fibrosa do tronco da planta em um material de alta resistência mecânica.

Com características semelhantes às de madeiras de alta densidade e lâminas de madeira, o produto tem aplicação direta na construção civil, no setor moveleiro e na fabricação de objetos em geral. Depositada em maio de 2020, a patente foi expedida em 16 de junho de 2026 e possui validade de 20 anos. O desenvolvimento científico é assinado pelos pesquisadores João Thiago Rodrigues de Sousa e Victor Hugo Pereira Moutinho, ambos do Instituto de Biodiversidade e Florestas (Ibef/Ufopa), em parceria com Bruno Monteiro Balboni, docente da Universidade de São Paulo (USP).

Nova fonte de renda para comunidades tradicionais

A tecnologia atua diretamente no fortalecimento da bioeconomia regional. Ao permitir que os produtores rurais comercializem não apenas o fruto, mas também o caule excedente retirado durante as práticas de manejo, a invenção abre espaço para uma nova cadeia de fornecimento industrial na Amazônia. De acordo com os cientistas, o manejo adequado do açaizeiro estimula o aumento da própria produção dos frutos e a nova utilidade agrega valor ao ciclo completo da atividade camponesa, trazendo benefícios sociais e dinamizando a economia local.

Antes mesmo de ter a patente homologada pelo INPI, o material sustentável ganhou vitrines estratégicas no ecossistema global de inovação. Os painéis e objetos produzidos com o caule do açaizeiro foram apresentados ao mercado durante a COP 30 e na XVII Feira da Indústria do Pará (Fipa), eventos sediados em Belém (PA). A próxima etapa da equipe de pesquisa foca nos estudos de viabilidade comercial para a inserção definitiva do insumo no mercado de larga escala.

Inovação científica na Amazônia

Com o novo registro, a Ufopa atinge a marca de 11 pedidos de patentes depositados no INPI, sendo que três já alcançaram a concessão definitiva. O portfólio de propriedade intelectual da instituição sediada em Santarém (PA) reforça o uso sustentável da biodiversidade amazônica.

Entre as invenções da universidade que já possuem cartas-patentes ativas estão:

  • Um sistema líquido para liberação de fármacos na pele baseado em gordura vegetal de murumuru;
  • Um cosmético para colorir os lábios produzido a partir do pigmento das cascas do jambeiro-vermelho;
  • Os painéis de alta resistência criados com o caule do açaizeiro.

Recentemente, a instituição também oficializou o registro de marca da “Afroteca”, uma tecnologia educacional antirracista desenvolvida na universidade.

*Matéria realizada com informações do portal UFOPA.

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