O que está acontecendo na Amazônia? 22 de junho de 2026

Governo instala sala de crise para enfrentar impactos do El Niño no país

O governo federal instituiu uma Sala de Situação Interministerial para organizar medidas de prevenção e resposta a possíveis desastres associados ao chamado “Super El Niño”, com previsão de impacto no Brasil a partir de julho. A coordenação da estrutura está sob responsabilidade da Casa Civil, com participação do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional […]

O governo federal instituiu uma Sala de Situação Interministerial para organizar medidas de prevenção e resposta a possíveis desastres associados ao chamado “Super El Niño”, com previsão de impacto no Brasil a partir de julho. A coordenação da estrutura está sob responsabilidade da Casa Civil, com participação do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e outros órgãos federais.

Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do Canal Gov, o ministro Waldez Góes explicou que a iniciativa reúne diferentes áreas da administração federal para atuação conjunta. Segundo ele, o grupo envolve 20 ministérios e órgãos técnicos no monitoramento e na tomada de decisões.“O Brasil está preparado permanentemente, está em vigilância e mobilizado permanentemente para dar respostas à sociedade”.

O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas superficiais do Oceano Pacífico, podendo ultrapassar 2ºC. Especialistas alertam que, neste ano, a intensidade pode ser maior, o que tende a ampliar os impactos climáticos em diversas regiões do país.

Entre os efeitos mais comuns estão secas prolongadas na Amazônia e no Nordeste, aumento das chuvas no Sul e Sudeste, elevação das temperaturas no Centro-Oeste e maior risco de queimadas no Pantanal.

Integração de órgãos e resposta emergencial

A Sala de Situação permite a mobilização de recursos extraordinários e a articulação entre diferentes instituições, como Forças Armadas, Polícia Federal, Ibama, ICMBio, além de governos estaduais e municipais. Órgãos de monitoramento, como o Cemaden e o Inpe, também integram a estrutura com fornecimento contínuo de dados técnicos.

De acordo com o ministro, há um planejamento permanente e reuniões frequentes para alinhamento das ações entre os entes federativos.“Temos um plano de contingência, um plano de enfrentamento e também todo um nivelamento a nível de governo federal e uma comunicação muito intensa e permanente com os estados e municípios. É muito frequente, às vezes, dependendo da situação, reuniões até diárias. Damos, também, um espaçamento semanal para nos reunirmos com os atores locais do território”.

Góes destacou ainda a articulação entre áreas do governo que mantêm contato direto com comunidades locais, como Saúde, Povos Indígenas e Direitos Humanos e Cidadania.

Alertas e preparação da população

O governo federal reforçou que a efetividade dos sistemas de alerta depende da preparação prévia das comunidades. A orientação é que os planos de contingência sejam conhecidos antes da ocorrência de eventos extremos.“Não podemos dar um alerta extremo a uma comunidade sem que aquela comunidade já tenha tido o mínimo contato com aquele tipo de serviço público.

Segundo o ministro, é necessário que rotas de evacuação sejam sinalizadas e que abrigos estejam estruturados antes de situações de emergência. “Já deve ter a sinalização daquela área que será atingida, a orientação do local mais seguro onde as pessoas devem se abrigar. O apoio institucional, não só das pessoas, mas também dos objetos no local para retirá-los”, completou.

Defesa Civil Alerta e comunicação de risco

Entre as ferramentas destacadas está o sistema Defesa Civil Alerta, que envia notificações diretamente aos celulares em áreas de risco, sem necessidade de cadastro prévio. “O telefone das pessoas vai travar. Mesmo que esteja assistindo a um filme no YouTube, o alerta vai chegar. Nós não dependemos de cadastramento nem de conta paga para a mensagem chegar ao cidadão”, afirmou o ministro.

Os alertas são classificados conforme o nível de gravidade, variando entre “severo”, quando há tempo para preparação, e “extremo”, que indica evacuação imediata. “O sistema Defesa Civil Alerta tem que ser utilizado em casos muito específicos. A gente não pode banalizá-lo. Ele não pode ser utilizado em todas as situações de eventos [climáticos].

Cultura de prevenção de riscos

O ministro defendeu ainda a construção de uma cultura de prevenção no país, com participação de governos e sociedade civil, incluindo a realização de simulados em áreas de risco. “Os municípios que estão em zonas de maior risco devem fazer a simulação para comunidade, criando a cultura de lidar com o risco. Se passarem dez anos sem ter problemas, beleza! Mas se acontecer, já está internalizado em cada cidadão [o protocolo].

Góes também destacou que, em caso de alerta oficial, a resposta da população deve ser imediata. “Se uma autoridade emite um alerta, tem que respeitar. Para isso, o cidadão tem que conhecer, conviver, tem que participar e aprender a lidar com aquilo”, afirmou.

*Matéria realizada com informações do portal Agência Brasil.

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