O que está acontecendo na Amazônia? 22 de junho de 2026

Alerta falso de “misantropia” é disparado após possível invasão em sistema da Defesa Civil do Pará

Duas contas ligadas à Defesa Civil do Pará foram utilizadas para o envio de dez alertas públicos falsos entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado. As mensagens, classificadas como nível “extremo”, o mais alto do sistema de alertas, foram encaminhadas a seis capitais, três estados e ao Distrito Federal. As informações constam […]

Duas contas ligadas à Defesa Civil do Pará foram utilizadas para o envio de dez alertas públicos falsos entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado. As mensagens, classificadas como nível “extremo”, o mais alto do sistema de alertas, foram encaminhadas a seis capitais, três estados e ao Distrito Federal.

As informações constam em documento do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, enviado à Polícia Federal e obtido pelo GLOBO. Segundo o relatório, houve “acesso indevido” à Interface de Divulgação de Alertas Públicos (IDAP), plataforma oficial usada para comunicar situações de risco à população. Os envios ocorreram sem autorização ou validação de autoridades de proteção e defesa civil, levantando a hipótese de ataque cibernético.

Os primeiros registros foram feitos às 23h41 e 23h45 do dia 19 de junho. Após a detecção, a equipe técnica do ministério bloqueou uma das contas vinculadas a um agente da Defesa Civil do Pará. No entanto, novas emissões foram realizadas na madrugada seguinte, entre 1h20 e 1h23, utilizando outra credencial da mesma instituição.

O documento aponta ainda que, embora os usuários estivessem vinculados ao perfil estadual do Pará, os alertas foram enviados para regiões fora de sua área de autorização. Para os investigadores, isso reforça a suspeita de uso indevido de credenciais e possível falha ou burla nas restrições territoriais da plataforma.

Ao todo, foram identificados dez disparos irregulares: nove pelo sistema Defesa Civil Alerta (DCA), que envia mensagens via antenas de telefonia para celulares em áreas específicas, e um por SMS. Todas as notificações foram classificadas como “extremas”, categoria reservada a emergências graves, como desastres naturais e riscos imediatos à população.

As mensagens, no entanto, não correspondiam a nenhum evento real. Os alertas mencionavam situações como alagamentos, tornados e deslizamentos, além de conteúdos considerados incompatíveis com protocolos oficiais. Entre eles, havia referência a um suposto “ataque alienígena” e termos como “misantropia” e “misantropo”, além de variações com substituição de letras por números.

Segundo o Ministério da Integração, os textos não seguiam padrões técnicos exigidos para comunicação de emergência. “As mensagens registradas não apresentam conteúdo técnico, institucional ou compatível com os protocolos de Proteção e Defesa Civil”, destacou o documento.

Após o episódio, o sistema teve permissões bloqueadas e filtros adicionais foram implementados para evitar novos envios indevidos. O caso foi comunicado à área de tecnologia do ministério, que avalia novas medidas de segurança. A Polícia Federal instaurou uma investigação preliminar para apurar a origem e a forma de invasão ao sistema.

*Matéria realizada com informações do portal O GLOBO.

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