Filme estrelado por atriz paraense une Amazônia e Bahia em narrativa inspirada em ancestralidades afro-indígenas
A produção cinematográfica A Mulher de Rosa está sendo gravada em Salvador, na Bahia, e reúne artistas do Pará e da Bahia em uma narrativa que dialoga com espiritualidade, memória, ancestralidade e experiências afro-indígenas. O curta-metragem é dirigido por Zulmí Nascimento, com codireção da artista baiana Raiz Rozados, e tem como protagonistas a atriz paraense […]
A produção cinematográfica A Mulher de Rosa está sendo gravada em Salvador, na Bahia, e reúne artistas do Pará e da Bahia em uma narrativa que dialoga com espiritualidade, memória, ancestralidade e experiências afro-indígenas. O curta-metragem é dirigido por Zulmí Nascimento, com codireção da artista baiana Raiz Rozados, e tem como protagonistas a atriz paraense Joyce Cursino e a baiana Inaê Moreira.
Na trama, Joyce interpreta uma professora de artes nascida no Pará que vive isolada em uma comunidade litorânea baiana durante a pandemia da Covid-19. A rotina da personagem muda após ela receber uma misteriosa caixa contendo balas cor-de-rosa. A partir desse momento, passa a vivenciar experiências que misturam sonho, memória e encantamento, marcadas pelos encontros com uma mulher vestida de rosa, personagem interpretada por Inaê Moreira.
Gravado na comunidade quilombola do Alto da Sereia, em Salvador, o filme aposta em uma linguagem que combina audiovisual, performance e dança para construir uma narrativa marcada por elementos simbólicos e sensoriais. A proposta é aproximar referências culturais da Amazônia e do Nordeste, criando conexões entre diferentes territórios e tradições.
A obra busca inspiração em cosmologias afro-indígenas amazônicas e yorubanas, incorporando elementos presentes em narrativas ligadas ao boto-cor-de-rosa, às caboclas das águas, a Iemanjá e aos Ibejis. O resultado é um universo ficcional em que rios, mares, espiritualidade e ancestralidade se entrelaçam.
Produzido pela Plataforma Balsa, em parceria com a Sujeito Filmes, Negritar Filmes e Produções, o curta também destaca manifestações culturais brasileiras por meio de sua construção estética e sonora. A trilha incorpora ritmos como carimbó, tecnobrega, samba de roda e pagode baiano, reforçando o diálogo entre diferentes expressões culturais do país.
Segundo o diretor Zulmí Nascimento, o projeto nasce como um espaço de encontro entre linguagens artísticas, memórias coletivas e experiências espirituais. O cineasta dá continuidade à sua trajetória no cinema independente brasileiro, marcada por produções que exploram identidade, território e pertencimento.
Para Joyce Cursino, que acumula participações em séries e longas-metragens do cinema nacional, o filme representa uma oportunidade de ampliar conexões entre o Norte e o Nordeste por meio da arte. A atriz destaca que a narrativa aborda deslocamentos físicos, afetivos e espirituais, aproximando vivências amazônicas e baianas em uma perspectiva marcada pela ancestralidade afro-diaspórica.
Com foco em experiências sensíveis e simbólicas, A Mulher de Rosa reforça a presença de narrativas afro-indígenas no audiovisual brasileiro contemporâneo e aposta na valorização de saberes, memórias e identidades historicamente ligadas aos povos da floresta e às comunidades negras do país.