Naufrágio no Rio Xingu deixa cinco mortos e equipes buscam por adolescente desaparecido no Pará
As equipes de resgate continuam mobilizadas nas buscas por um adolescente de 14 anos, identificado como Beptoti, que desapareceu após o naufrágio de uma embarcação do tipo voadeira no rio Xingu. O acidente ocorreu na noite do dia 10 de junho, em um trecho conhecido como “Canalzão”, área próxima à Base Operacional Koatinemo, no Pará. […]
As equipes de resgate continuam mobilizadas nas buscas por um adolescente de 14 anos, identificado como Beptoti, que desapareceu após o naufrágio de uma embarcação do tipo voadeira no rio Xingu. O acidente ocorreu na noite do dia 10 de junho, em um trecho conhecido como “Canalzão”, área próxima à Base Operacional Koatinemo, no Pará.
A área do naufrágio é caracterizada por condições perigosas para a navegação, apresentando fortes correntezas, rebojos e grande quantidade de pedras. A embarcação transportava 14 indígenas, sendo 13 da etnia Xikrin, oriundos da Terra Indígena Trincheira Bacajá (região do Baixo Bacajá), e um da etnia Kayapó. Dos ocupantes, oito indígenas Xikrin foram resgatados com vida ainda na noite do incidente.
Até o momento, foram localizados os corpos de cinco vítimas fatais, já identificadas por seus familiares:
- Patukre Kayapó (conhecido como Romário Kayapó): 44 anos, piloto da embarcação e oriundo da Terra Indígena Kararaô;
- Bemoti Xikrin: 32 anos;
- Kokonã Xikrin: 22 anos;
- Adolescente: 12 anos;
- Criança: 5 anos.
Mobilização e suporte técnico nas buscas
A operação de resgate e assistência envolve a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Marinha do Brasil, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Pará e a Polícia Civil. Logo após o acidente, servidores da Base Operacional Koatinemo e da Coordenação Regional Centro Leste do Pará (CR-CLPA) foram deslocados para prestar apoio emergencial e orientar os familiares das vítimas em Altamira (PA).
Para dar suporte aos sobreviventes e às equipes de busca, a Funai articulou uma rede de cooperação com o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) de Altamira para atendimento médico, e com a empresa Norte Energia S.A. (NESA) para o fornecimento de alimentação. Foram enviados mantimentos, medicamentos e drones para auxiliar na varredura da área.
Para intensificar os trabalhos subaquáticos, a Marinha do Brasil disponibilizou pessoal especializado e o equipamento sidescan (sonar de varredura lateral), capaz de escanear o leito do rio por meio de ondas sonoras. A instituição aguarda a disponibilidade de uma aeronave, em coordenação com o Corpo de Bombeiros, para transportar o dispositivo até a região do acidente.
Notas oficiais na Íntegra:
NOTA DA FUNAI
“A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), por meio da Coordenação Regional Centro Leste do Pará (CR-CLPA), sobre o acidente envolvendo indígenas das etnias Xikrin e Kayapó, ocorrido na noite do dia 10 de junho, se solidariza com famílias e comunidades indígenas das vítimas, e informa que está acompanhando o caso e acionou os órgãos competentes desde o início do ocorrido.
O fato ocorreu no rio Xingu, em trecho conhecido como ‘Canalzão’, área próxima à Base Operacional Koatinemo, caracterizada por fortes correntezas, rebojos e presença de pedras. A embarcação transportava 14 indígenas, dos quais 13 da etnia Xikrin, oriundos da Terra Indígena Trincheira Bacajá, na região do Baixo Bacajá, e um da etnia Kayapó, identificado como Patukre Kayapó, conhecido como Romário Kayapó, piloto da embarcação e oriundo da Terra Indígena Kararaô.
A equipe presente na Base Operacional Koatinemo, ao ser informada pelo ocorrido, iniciou o apoio emergencial às vítimas. E a CR-CLPA/Funai e a Coordenação de Frente de Proteção Etnoambiental do Médio Xingu (CFPE-MX) passaram a promover os acionamentos institucionais necessários, ao Corpo de Bombeiros do Pará, a Polícia Civil do Pará e a Marinha do Brasil. Além disso, a Funai articulou com diferentes instituições, que atuam junto aos povos indígenas do Médio Xingu, de modo a ampliar a rede de apoio às vítimas resgatadas, aos familiares e às equipes de busca, como o DSEI de Altamira/PA, para atendimento em saúde aos indígenas resgatados; e a empresa Norte Energia S.A. (NESA), que contribuiu com alimentação. Por meio dessas articulações, foi viabilizado o envio de mantimentos e medicamentos, para ajudar as equipes de apoio, além de drones para facilitação das buscas.
Vale ressaltar que servidores da Coordenação Regional foram deslocados para a localidade do acidente, onde permanecem prestando apoio e orientações. Os familiares dos desaparecidos também receberam auxílio nas dependências da CR-CLPA, em Altamira (PA).
Os órgãos de segurança, que fazem as buscas, informaram para a Funai que, até o momento, dos 14 indígenas que estavam na embarcação naufragada, oito indígenas da etnia Xikrin foram resgatados com vida ainda na noite do acidente. No curso das buscas, foi localizado sem vida, o indígena Patukre Kayapó (44 anos), conhecido como Romário Kayapó; quatro indígenas da etnia Xikrin, identificados como: Bemoti Xikrin (32 anos), Kokonã Xikrin (22 anos); uma criança (5 anos) e um adolescente (12 anos). Dessa forma, até o presente momento, contabilizam-se 5 vítimas fatais localizadas e um indígena ainda desaparecido. As equipes seguem mobilizadas nas ações de busca e localização.
A Funai, continuará acompanhando, mobilizada em campo e articulando institucionalmente às providências pertinentes, com atenção ao respeito, ao acolhimento das famílias e comunidades indígenas.“
NOTA DA MARINHA DO BRASIL
“A Marinha do Brasil informa que disponibilizou pessoal especializado e o equipamento sidescan (sonar de varredura lateral), capaz de escanear o leito do rio por meio da emissão de ondas sonoras. O objetivo é intensificar e retomar as buscas ao adolescente desaparecido após o naufrágio de uma embarcação do tipo voadeira no Rio Xingu, ocorrido no último dia 10 de junho. No momento, em coordenação com o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Pará, a instituição aguarda a disponibilidade de uma aeronave para realizar o transporte do equipamento até a região do acidente. Até o presente momento, os corpos de cinco vítimas do naufrágio foram localizados e identificados por seus familiares. A Marinha do Brasil lamenta profundamente o ocorrido e expressa sua total solidariedade aos familiares e amigos das vítimas A Autoridade Marítima coloca à disposição do cidadão os telefones do Disque Emergências Marítimas e Fluviais (185) e da Capitania dos Portos da Amazônia Oriental: (91) 3218-3950 ou (91) 98134-3000 (mensagens instantâneas), para o recebimento de informações que possam contribuir para a salvaguarda da vida humana nas águas, a segurança da navegação e a prevenção da poluição ambiental.“
O portal Amazônia no Ar encaminhou pedidos de atualização nesta terça-feira (16) ao Corpo de Bombeiros Militar do Pará e à Polícia Civil do Pará para obter informações sobre o andamento das buscas, o estado dos sobreviventes e eventuais investigações sobre as causas do naufrágio. Até o fechamento desta reportagem, não havia retorno dos órgãos consultados.
*Matéria realizada com informações do portal CNN Brasil.