Prefeitura de Belém não tem um plano para mitigação dos efeitos do El Niño
A Prefeitura de Belém não apresentou um plano específico de mitigação e resposta aos impactos provocados pelo fenômeno climático El Niño. Em resposta a questionamentos sobre quais ações estariam sendo adotadas para enfrentar possíveis efeitos relacionados ao aumento das temperaturas, estiagens, ilhas de calor e outros eventos associados ao fenômeno, a administração municipal encaminhou apenas […]
A Prefeitura de Belém não apresentou um plano específico de mitigação e resposta aos impactos provocados pelo fenômeno climático El Niño. Em resposta a questionamentos sobre quais ações estariam sendo adotadas para enfrentar possíveis efeitos relacionados ao aumento das temperaturas, estiagens, ilhas de calor e outros eventos associados ao fenômeno, a administração municipal encaminhou apenas duas publicações dos dias 11 e 12 de junho institucionais sobre iniciativas já desenvolvidas na capital.
Os materiais enviados tratam da implantação de Jardins de Chuva, projeto voltado à redução de alagamentos e à melhoria da drenagem urbana, e de um estudo sobre o aumento das temperaturas em Belém relacionado ao El Niño e às ilhas de calor urbanas. Nenhum dos conteúdos apresenta um plano integrado de contingência ou um protocolo específico para prevenção e enfrentamento dos impactos do fenômeno climático.
Entenda as matérias como resposta
Os Jardins de Chuva fazem parte de uma estratégia baseada no conceito de “cidade-esponja”, que busca ampliar a infiltração da água no solo e reduzir pontos de alagamento. Já o segundo material aborda os efeitos das mudanças climáticas sobre a temperatura da capital paraense e os desafios provocados pelo crescimento das ilhas de calor em áreas urbanizadas.
Apesar das iniciativas, não foram apresentadas informações sobre medidas voltadas, por exemplo, ao enfrentamento de períodos de estiagem, protocolos para eventos de calor extremo, ações específicas de saúde pública, estratégias de proteção às populações mais vulneráveis ou planejamento para eventuais impactos sobre o abastecimento de água.
A ausência de um plano específico chama atenção diante dos efeitos que episódios de El Niño costumam provocar na Amazônia. Entre as consequências mais recorrentes estão a redução do volume de chuvas, aumento das temperaturas, agravamento das queimadas e impactos sobre rios, comunidades ribeirinhas e atividades econômicas dependentes dos recursos hídricos.
O cenário também contrasta com iniciativas adotadas em outras regiões do país. Enquanto estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina já adotam desde março e maio deste ano, medidas específicas de preparação para eventos climáticos associados ao El Niño, com planos de contingência, comitês de gestão e reforço das estruturas de Defesa Civil, Belém ainda não apresentou um plano público específico para mitigação dos impactos do fenômeno.
Em Belém, no entanto, a resposta oficial da prefeitura limitou-se à apresentação de ações voltadas à drenagem urbana e à adaptação climática relacionada às ilhas de calor. Até o momento, não foi apresentado um plano público específico para mitigação dos impactos do El Niño na capital paraense.