Alertas de desmatamento na Amazônia caem 37,5% e atingem menor nível da série histórica, aponta Deter
As áreas sob alerta de desmatamento na Amazônia Legal registraram queda de 37,5% entre agosto de 2025 e maio de 2026, segundo dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). No período, foram identificados 2.189 km² sob alerta de desmatamento, o menor resultado da série […]
As áreas sob alerta de desmatamento na Amazônia Legal registraram queda de 37,5% entre agosto de 2025 e maio de 2026, segundo dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). No período, foram identificados 2.189 km² sob alerta de desmatamento, o menor resultado da série histórica iniciada em 2016 para esse intervalo de meses.
No Cerrado, os números também apontam redução. Entre agosto de 2025 e maio de 2026, foram registrados 4.208 km² sob alerta de desmatamento, uma diminuição de 8,2% em comparação com o ciclo anterior, entre agosto de 2024 e maio de 2025.
Os dados foram divulgados nesta última quinta-feira (11) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita à sede da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Brasília. Participaram do evento os ministros do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, além do secretário-geral da OTCA, Martín Von Hildebrand, e da secretária-executiva da organização, Vanessa Grazziotin.
Considerando apenas o mês de maio de 2026, a Amazônia apresentou redução de 61,4% nas áreas sob alerta de desmatamento em relação a maio de 2025, representando a maior queda percentual e absoluta já registrada pelo sistema para o período. No Cerrado, a redução foi de 12,2% em comparação com maio de 2025 e de 25,3% em relação a maio de 2024.
O Deter é utilizado para gerar alertas diários que orientam ações de fiscalização e combate ao desmatamento e à degradação florestal. Diferentemente do sistema Prodes, que calcula a taxa anual de desmatamento, o Deter fornece informações em tempo quase real para apoiar a atuação dos órgãos ambientais.
Segundo dados do Prodes, o desmatamento caiu 50% na Amazônia e 32% no Cerrado em 2025 na comparação com 2022. Durante o evento, o presidente Lula afirmou que a meta de eliminar o desmatamento até 2030 é uma decisão assumida pelo próprio governo brasileiro.
“Não é uma decisão de nenhuma COP nem da ONU. É uma decisão do nosso governo. É uma questão de justiça e de participação do Brasil na ajuda ao planeta Terra, cumprindo a nossa obrigação de evitar o desmatamento o máximo possível”, afirmou.
O presidente também defendeu a preservação ambiental como estratégia de desenvolvimento. “O não desmatamento é mais lucrativo do que o desmatamento. Enquanto o desmatamento pode enriquecer uma ou duas pessoas, não desmatar ajuda o Brasil, a Amazônia e o mundo”, declarou.
“Queremos que a nossa floresta seja preservada para o bem da humanidade”, acrescentou.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, atribuiu os resultados às políticas ambientais implementadas nos últimos anos. “Estamos falando de investimento, apoio e melhoria da atividade do serviço público. Os resultados apresentados demonstram a importância desses esforços para a proteção ambiental”, pontuou.
“Estamos tratando de transformar o nosso potencial em melhoria da qualidade de vida, geração de emprego e renda e promoção do desenvolvimento sustentável”, concluiu.
Capobianco também destacou que os dados oficiais contestam acusações relacionadas ao desmatamento ilegal no país.“Os números são claros, transparentes e auditáveis”, enfatizou.
“Toda a madeira exportada pelo Brasil é monitorada. Toda a cadeia de custódia é acompanhada por sistemas detalhados de rastreamento. O Brasil não está promovendo o desmatamento ilegal e não está exportando madeira ilegal”, salientou.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, ressaltou a importância do monitoramento científico para o enfrentamento do desmatamento.“O tempo do negacionismo tem que ficar para trás. A excelência do Inpe e o monitoramento de precisão que promovemos são a base que nos permite enxergar a realidade do nosso território e, a partir daí, fornecer subsídios para a ação do Ministério do Meio Ambiente”, frisou.
Entre as ações destacadas pelo governo para a redução do desmatamento estão a retomada e ampliação dos Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento (PPCDs) em todos os biomas brasileiros, o fortalecimento das operações de fiscalização do Ibama e do ICMBio, a ampliação dos embargos remotos com uso de imagens de satélite e a integração entre órgãos federais de monitoramento e controle ambiental.
Nos 70 municípios prioritários do programa União com Municípios (UcM), a redução do desmatamento chegou a 65,5% entre 2022 e 2025. Em 2025, as ações do Ibama resultaram em aumento de 19% nos termos de embargo, 15% nos autos de infração relacionados à flora e 25% nas áreas embargadas em comparação com 2024. O ICMBio ampliou em 24% os autos de infração e em 33% as áreas embargadas no mesmo período.
O governo também destacou medidas relacionadas ao crédito rural, investimentos do Fundo Amazônia, ações do programa Eco Invest Brasil e a retomada do Bolsa Verde. Atualmente, o programa atende 72,2 mil famílias em 125 municípios e 463 unidades de conservação e assentamentos, com mais de R$ 318 milhões pagos em benefícios.
No combate aos incêndios florestais, a estrutura federal conta atualmente com 240 brigadas, formadas por 4.410 brigadistas do Ibama e do ICMBio, além de uma frota composta por 19 helicópteros, 18 aviões lança-água, 27 veículos especiais e duas vilas operacionais.
*Matéria realizada com informações do portal Governo Federal.