O que está acontecendo na Amazônia? 3 de junho de 2026

Alvo de críticas por blindar o agronegócio, projeto que cria Delegacia de Crimes Rurais avança na Alepa

O Governo do Estado do Pará encaminhou nesta terça-feira (02), para a Assembleia Legislativa (Alepa) um Projeto de Lei que propõe a criação da Delegacia de Investigação de Crimes Rurais (Deleagro). A nova estrutura da Polícia Civil tem como objetivo oficial intensificar as ações de segurança pública no campo, focando no combate a crimes patrimoniais […]

O Governo do Estado do Pará encaminhou nesta terça-feira (02), para a Assembleia Legislativa (Alepa) um Projeto de Lei que propõe a criação da Delegacia de Investigação de Crimes Rurais (Deleagro).

A nova estrutura da Polícia Civil tem como objetivo oficial intensificar as ações de segurança pública no campo, focando no combate a crimes patrimoniais como o furto de gado (abigeato), além do roubo de insumos agrícolas e de maquinários nas propriedades rurais paraenses. No entanto, a proposta abre discussões sobre a possibilidade de a estrutura atuar prioritariamente na defesa dos interesses do agronegócio.

Em resposta aos questionamentos da reportagem do Amazônia no Ar, a Secretaria de Comunicação do Estado (Secom) encaminhou o posicionamento oficial detalhado pela Agência Pará. Segundo o governo estadual, a medida atende a uma demanda por maior policiamento especializado no interior, visando garantir a segurança jurídica e coibir perdas econômicas no setor produtivo.

O texto do projeto agora inicia sua tramitação pelas comissões temáticas da Casa de Leis, onde deputados da base governista e da oposição devem analisar as atribuições e o alcance da nova especializada.

Movimentos sociais e setor produtivo são acionados

A fim de antecipar o debate que deve ocorrer no parlamento e garantir que todas as visões que compõem o cenário agrário paraense sejam ouvidas, a reportagem enviou pedidos formais de posicionamento a diferentes representações da sociedade civil para avaliar o teor da proposta.

Foram acionados o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH). As entidades foram consultadas para analisar o texto enviado pelo Executivo e se manifestarem sobre possíveis preocupações em relação à abrangência da estrutura, além de eventuais riscos de que a delegacia possa ampliar a vigilância sobre as organizações camponesas ou funcionar como um mecanismo de repressão ao campesinato.

Do lado do setor produtivo, a reportagem solicitou uma nota oficial à Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) para detalhar quais são os principais gargalos de segurança enfrentados atualmente pelos produtores rurais e como a federação avalia a implementação da Deleagro para a proteção do patrimônio no campo. O espaço permanece aberto para a publicação das respostas assim que forem emitidas pelas instituições.

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