O que está acontecendo na Amazônia? 2 de junho de 2026

Greenpeace Brasil denuncia fraude bilionária de R$ 18,4 bilhões na lavagem de ouro da Amazônia

Um relatório inédito lançado pelo Greenpeace Brasil, intitulado “Lavagem de ouro na Amazônia: anatomia de uma fraude”, revelou a dimensão exata de um esquema criminoso bilionário que atua no coração da maior floresta tropical do planeta. De acordo com a investigação publicada nesta segunda-feira (01), o uso fraudulento de Permissões de Lavra Garimpeira (PLGs) foi […]

Um relatório inédito lançado pelo Greenpeace Brasil, intitulado “Lavagem de ouro na Amazônia: anatomia de uma fraude”, revelou a dimensão exata de um esquema criminoso bilionário que atua no coração da maior floresta tropical do planeta.

De acordo com a investigação publicada nesta segunda-feira (01), o uso fraudulento de Permissões de Lavra Garimpeira (PLGs) foi responsável pela comercialização ilegal de 25,3 toneladas de ouro, gerando um faturamento clandestino estimado em aproximadamente R$ 18,4 bilhões. O estudo expõe como falhas regulatórias crônicas e a falta de fiscalização eficaz por parte da Agência Nacional de Mineração (ANM) têm permitido que o metal extraído criminosamente de Unidades de Conservação e Terras Indígenas ganhe um selo de legalidade antes de ingressar no sistema financeiro nacional e no mercado internacional.

De acordo com o coordenador do Greenpeace Brasil, Danicley Aguiar, o apetite global pelo ouro, que historicamente se fortalece como ativo de segurança em períodos de guerras, crises econômicas e instabilidades internacionais, funciona como combustível para a destruição ambiental. O relatório detalha que a “lavagem” ou “esquentamento” do minério na Amazônia sustenta-se primordialmente sobre duas táticas fraudulentas de alta complexidade: os chamados garimpos fantasmas e as operações em escala industrial mascaradas.

Anatomia do crime: as duas táticas do garimpo ilegal

A primeira metodologia identificada pela organização ambiental envolve o uso de PLGs “fantasmas”. Trata-se de títulos minerários regulamentados, mas que na realidade estão inativos ou possuem uma produção real nula. Os fraudadores utilizam essas áreas formais para emitir declarações falsas de origem, “esquentando” o ouro que, na verdade, foi arrancado ilegalmente de regiões invioláveis por lei.

A segunda tática consiste na estruturação de garimpos em escala industrial disfarçados. Visando escapar de processos rigorosos de licenciamento ambiental e das severas exigências aplicadas à mineração industrial convencional, criminosos realizam arranjos nos quais múltiplas PLGs individuais de pequeno porte são concedidas e exploradas de forma unificada na mesma área geográfica. Esse agrupamento camufla frentes massivas de devastação — com o uso de maquinário pesado e dragas industriais, operando como se fossem lavras rudimentares e simplificadas, o que facilita o fluxo de lavagem do minério.

Rastros de destruição e as exigências de contenção

O avanço descontrolado dessas práticas tem deixado um rastro severo de danos socioambientais, incluindo a aceleração do desmatamento, a contaminação em massa de bacias hidrográficas por mercúrio e o aumento exponencial da violência contra comunidades tradicionais. Além do impacto ecológico, a atividade criminosa espalha surtos de doenças, exploração sexual, tráfico de pessoas e desorganização territorial nas Terras Indígenas de povos como os Yanomami, Munduruku, Kayapó e Xipaia.

Diante do cenário alarmante, o Greenpeace Brasil formalizou uma série de propostas urgentes direcionadas às autoridades e aos órgãos de controle federais. Entre as medidas exigidas pela organização destacam-se:

  • Identificação e cancelamento imediato de todas as PLGs que tenham registrado recolhimento da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), mas cujas imagens de satélite e dados de campo comprovem a ausência de evidências reais de exploração local.
  • Aplicação rigorosa do Artigo 6º da Lei nº 7.805/89, que torna obrigatória a realização de pesquisa mineral prévia antes da concessão de qualquer Permissão de Lavra Garimpeira.
  • Fim do modelo simplificado de autodeclaração, instituindo sistemas digitais integrados de custódia e notas fiscais eletrônicas capazes de certificar e rastrear geograficamente, de ponta a ponta, a real procedência de cada grama de ouro comercializado no país.

*Matéria realizada com informações do site Greenpeace Brasil.

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