O que está acontecendo na Amazônia? 30 de maio de 2026

Estudo da UFPA vincula exposição crônica a inseticidas com risco de Parkinson em idosos das ilhas de Belém

Um estudo coordenado por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) identificou uma correlação preocupante entre os hábitos de higiene doméstica e o risco de doenças neurodegenerativas nas populações das ilhas de Belém. A investigação, que integra o projeto internacional PROBE-PD, aponta que a exposição prolongada a inseticidas e pesticidas é um fator de risco […]

Um estudo coordenado por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) identificou uma correlação preocupante entre os hábitos de higiene doméstica e o risco de doenças neurodegenerativas nas populações das ilhas de Belém. A investigação, que integra o projeto internacional PROBE-PD, aponta que a exposição prolongada a inseticidas e pesticidas é um fator de risco ambiental significativo para o desenvolvimento da doença de Parkinson entre os idosos residentes em áreas como Cotijuba, Combu, Outeiro e Mosqueiro.

De acordo com os dados coletados entre 2022 e 2025, cerca de 60% dos 1.100 idosos entrevistados admitiram utilizar inseticidas de forma frequente, pelo menos uma vez por semana. O levantamento destaca que o uso muitas vezes ocorre em ambientes fechados e sem ventilação adequada, potencializando a inalação das substâncias tóxicas.

Uso de substâncias de alta toxicidade

Um dos pontos mais alarmantes detectados pelos pesquisadores Lane Viana Krejcova e Bruno Lopes Santos Lobato é o uso de carrapaticidas bovinos e outros defensivos agrícolas dentro das residências. Por falta de informação sobre os riscos à saúde, moradores aplicam esses produtos de alta toxicidade em paredes e quintais para controlar insetos, sem o uso de equipamentos de proteção.

O estudo ressalta que, embora a genética tenha seu papel, fatores ambientais como o contato direto com agentes químicos são determinantes para o surgimento do Parkinson. Nas ilhas, essa vulnerabilidade é acentuada pelo uso cumulativo dessas substâncias ao longo de décadas de vida no bioma.

Recomendações científicas

Com base nos achados, a equipe da UFPA reforça a necessidade de políticas públicas que orientem as comunidades ribeirinhas sobre alternativas seguras. A recomendação dos especialistas é priorizar o controle mecânico e físico, como a instalação de telas em portas e janelas e a vedação de frestas, reduzindo a dependência química e, consequentemente, o risco de danos ao sistema nervoso central.

O projeto, que conta com apoio da Michael J. Fox Foundation, continuará monitorando os participantes para entender a progressão dos sintomas neurológicos e consolidar as evidências sobre o impacto dos poluentes orgânicos na saúde das populações tradicionais da Amazônia.

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