Povos indígenas do Baixo Tapajós conquistam fórum permanente para autodefesa e demarcação
A luta histórica dos povos indígenas do Baixo Tapajós alcançou um novo patamar de articulação política. Nesta última terça-feira (26), a criação do Fórum Regional Territórios Ancestrais do Baixo Tapajós foi oficializada em Brasília, transformando décadas de resistência em uma ferramenta institucional de defesa. A medida é uma vitória direta de 14 povos, entre eles […]
A luta histórica dos povos indígenas do Baixo Tapajós alcançou um novo patamar de articulação política. Nesta última terça-feira (26), a criação do Fórum Regional Territórios Ancestrais do Baixo Tapajós foi oficializada em Brasília, transformando décadas de resistência em uma ferramenta institucional de defesa. A medida é uma vitória direta de 14 povos, entre eles os Borari, Munduruku, Arapium e Tupinambá, que agora passam a ter uma cadeira cativa nas decisões que afetam suas terras e vidas.
O Fórum surge como um escudo contra o avanço do garimpo ilegal, da exploração madeireira e do agronegócio, que têm sufocado as aldeias da região. Mais do que um órgão administrativo, a nova estrutura é vista pelas lideranças como o reconhecimento da autonomia política de quem, no ano 2000, já marchava pela sobrevivência e hoje ocupa espaços de decisão na capital federal.
Fim da invisibilidade e pressa pela terra
Para as comunidades, a prioridade absoluta é o fim da paralisia nos processos fundiários. O cenário é crítico: 12 territórios seguem em diferentes estágios de regularização, enquanto cinco novas reivindicações aguardam estudos. O Fórum terá como missão imediata destravar as Terras Indígenas Borari de Alter do Chão, Munduruku-Taquara, Maró, Cobra Grande e Bragança-Marituba.
“O Fórum rompe com um histórico de invisibilidade institucional”, afirmou Lucas Tupinambá, coordenador do Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns (CITA). A expectativa é que o plano de trabalho, a ser elaborado em 60 dias, priorize não apenas o papel e a caneta da demarcação, mas a segurança física das lideranças que vivem sob ameaça constante de invasores.
Saúde e presença local: a luta além da demarcação
A conquista também foca em demandas básicas que nunca chegaram plenamente às aldeias. O movimento indígena garantiu o compromisso para a criação do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Tapajós, com sede em Santarém. Atualmente, o atendimento é centralizado em Belém, o que dificulta o acesso à saúde para quem vive nas calhas dos rios.
Além disso, a Funai confirmou que estuda a instalação de uma Coordenação Regional em Santarém, aproximando o órgão de proteção dos conflitos reais do dia a dia. Para Auricélia Arapiun, liderança da região, o momento é de vigilância: “Os compromissos feitos estão caminhando“, pontuou, lembrando que a organização nasceu da resistência e é nela que se manterá para garantir que as promessas saiam do papel.
*Matéria realizada com informações do portal Tapajós de Fato.