Homicídios de indígenas dobram no Amazonas e acendem alerta para avanço do crime organizado em territórios
O Amazonas vive um de seus momentos mais sangrentos para as populações originárias. Segundo dados do Atlas da Violência 2026, divulgados na última terça-feira (26), o número de homicídios contra indígenas no estado dobrou em comparação ao último levantamento, consolidando a região como uma das mais perigosas do país para os povos da floresta. O […]
O Amazonas vive um de seus momentos mais sangrentos para as populações originárias. Segundo dados do Atlas da Violência 2026, divulgados na última terça-feira (26), o número de homicídios contra indígenas no estado dobrou em comparação ao último levantamento, consolidando a região como uma das mais perigosas do país para os povos da floresta. O relatório detalha que a letalidade não é apenas fruto de conflitos agrários tradicionais, mas do avanço agressivo de facções criminosas sobre as Terras Indígenas (TIs).
A análise aponta que a ausência de fiscalização e o desmantelamento de órgãos de proteção nos últimos anos permitiram que rotas de tráfico de drogas, garimpo ilegal e extração de madeira se sobrepusessem aos territórios demarcados. O resultado é um rastro de mortes que atinge principalmente lideranças que resistem à invasão de suas terras.
Zonas de conflito e impunidade
De acordo com o Atlas, municípios localizados em calhas de rios estratégicos, como o Solimões e o Vale do Javari, concentram a maior parte das ocorrências. A vulnerabilidade é agravada pelo isolamento geográfico e pela demora nas respostas judiciais, o que gera um sentimento de impunidade entre os agressores.
Especialistas ouvidos pela reportagem reforçam que o aumento de 100% nas mortes reflete uma “guerra invisível” travada no coração da floresta. “O que estamos vendo é a transformação de territórios sagrados em corredores logísticos para o crime internacional. O indígena, que é o guardião da terra, torna-se o primeiro alvo a ser eliminado”, afirma o relatório.
O papel do estado
A publicação do Atlas 2026 coloca pressão sobre o Governo Federal e as forças de segurança estaduais. Movimentos indígenas exigem não apenas a retomada das demarcações, mas a presença permanente de bases de proteção etnoambiental e o fortalecimento da Funai e da Polícia Federal nas áreas de fronteira.
A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) tem sido questionada sobre as estratégias de combate à violência no interior, mas os números indicam que as ações atuais não têm sido suficientes para frear a escalada do sangue indígena no bioma.
*Matéria realizada com informações do portal Amazônia Real.