O que está acontecendo na Amazônia? 28 de janeiro de 2026

“Ficou aquém do esperado por cientistas e comunidades afetadas”, diz presidente da COP30 ao defender aceleração da ação climática

Em carta oficial, André Corrêa do Lago reconhece que avanços da conferência de Belém não acompanham a velocidade da crise do clima e propõe novo modelo de multilateralismo focado na implementação

Na 12ª carta da Presidência da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago fez uma avaliação direta sobre o momento do regime climático internacional após a conferência realizada em Belém, em novembro de 2025. O documento afirma que, apesar dos avanços diplomáticos, os resultados da COP “ficaram aquém do que esperavam cientistas do clima e comunidades que já vivenciam os impactos da mudança do clima”.

A declaração aparece no contexto de um alerta sobre a velocidade do aquecimento global. O presidente da COP30 cita dados recentes que indicam que o planeta pode atingir o limite de 1,5 °C de aquecimento de longo prazo ainda nesta década, reforçando que a resposta internacional não tem acompanhado o ritmo da crise climática.

COP30 é apresentada como marco da fase de implementação

Apesar do reconhecimento de limites, Corrêa do Lago descreve a conferência de Belém como um ponto de transição histórica. Segundo ele, o regime climático internacional estaria deixando uma fase de quase três décadas centrada em negociações para entrar em uma etapa voltada à implementação prática das decisões já tomadas.

Ele chama o momento de consolidação da “COP da Implementação”, destacando a mobilização de centenas de iniciativas climáticas, novas metas nacionais apresentadas por países e a adoção de decisões por consenso. Ainda assim, a mensagem central é que os avanços diplomáticos, por si só, não são suficientes diante da escala do desafio climático.

H3 — Defesa de mais rapidez e “multilateralismo em dois níveis”

Um dos eixos principais da carta é a defesa de que o sistema internacional precisa operar em mais de uma velocidade para acompanhar o aquecimento global. Corrêa do Lago propõe um “multilateralismo em dois níveis”:

  • um primeiro, baseado no consenso entre países, responsável por garantir legitimidade jurídica e direção coletiva;
  • e um segundo, voltado à implementação, permitindo que coalizões de países e outros atores avancem na execução de medidas sem reabrir decisões já pactuadas.

Segundo ele, a emergência climática exige mecanismos capazes de acelerar a entrega de resultados, sem abandonar a base legal construída ao longo das últimas décadas.

Roteiros para transição energética e combate ao desmatamento

A carta também anuncia a elaboração de roteiros (roadmaps) para orientar a transição dos combustíveis fósseis e a interrupção do desmatamento. Esses documentos, segundo o presidente da COP30, devem funcionar como plataformas políticas e técnicas para mobilizar governos e outros atores na implementação das metas climáticas.

Corrêa do Lago menciona ainda a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o governo brasileiro elabore diretrizes para uma transição energética justa e planejada, com redução gradual da dependência de combustíveis fósseis.

Mensagem central: avanços existem, mas ainda são insuficientes

Ao final, a carta sustenta que o regime climático internacional já construiu sua base normativa, mas precisa agora ganhar velocidade na execução. O reconhecimento de que os resultados ficaram aquém do esperado é apresentado como parte de um chamado à ação mais rápida e coordenada.

Para o presidente da COP30, a resposta à mudança do clima já não pode depender apenas do ritmo das negociações formais. A prioridade, segundo ele, passa a ser transformar compromissos em ações concretas, em escala compatível com a gravidade da crise climática.


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