O que está acontecendo na Amazônia? 27 de novembro de 2025

Após 10 anos, MPF pede retirada urgente dos destroços do navio Haidar em Barcarena

Uma década após o naufrágio do navio Haidar, que matou cerca de 5 mil bois e derramou centenas de milhares de litros de óleo no Porto de Vila do Conde, em Barcarena, o desastre segue como ferida aberta na vida das comunidades locais. O navio continua submerso no mesmo local, e os impactos ambientais e sociais permanecem

Foto: Divulgação/Portal Barcarena

Na última terça-feira (25), o Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação civil pública exigindo a remoção definitiva da carcaça e o esgotamento completo dos resíduos oleosos ainda presentes no casco. O órgão também pede indenização de R$ 5 milhões por danos morais coletivos e R$ 91,4 mil por prejuízos ambientais já calculados.


Histórico do acidente

  • O naufrágio aconteceu em 2015, provocando a morte de cerca de 5 mil bois e o derramamento de aproximadamente 700 mil litros de óleo.
  • Em 2018, um novo vazamento foi registrado, comprovando que os resíduos ainda presentes no navio representam ameaça constante.
  • Em 2022, o MPF recebeu nova denúncia de vazamento.
  • Estimativas do Plano de Controle Ambiental (PCA) apontam que até 215 mil litros de óleo (diesel, combustível e lubrificante) podem permanecer no interior da embarcação, além de carcaças e ossadas

Risco ambiental

O MPF alerta para a possibilidade de uma “catastrófica poluição hídrica” caso ocorra novo vazamento. A permanência dos destroços, segundo o órgão, configura omissão do poder público e falhas nas tentativas anteriores de reflutuação, como o contrato encerrado com a empresa Superpesa.

Pedidos à Justiça

Na ação, o MPF solicita que os réus – União, Estado do Pará, Companhia Docas do Pará (CDP) e empresas proprietárias do navio sejam obrigados a:

  • Apresentar, em até 30 dias, um plano preventivo para esgotamento do óleo.
  • Iniciar, em até 60 dias, a remoção efetiva e segura dos resíduos oleosos, destroços e ossadas.
  • Custear um diagnóstico ambiental atualizado da qualidade das águas e sedimentos do Rio Pará.
  • Manter o monitoramento contínuo da área até a completa eliminação dos poluentes.
  • Elaborar, em até 60 dias após o diagnóstico, um plano de remediação ambiental aprovado pela Semas e pelo Ibama

Indenizações e impactos sociais

Além da reparação ambiental, o MPF pede condenação solidária dos envolvidos ao pagamento de:

  • R$ 5 milhões por danos morais coletivos, devido aos impactos na qualidade de vida, turismo e pesca.
  • R$ 91,4 mil referentes aos danos materiais do vazamento de 2018.

O acidente trouxe graves consequências para as comunidades de Barcarena e Abaetetuba:

  • Proibição de banho nas águas.
  • Fechamento de bares, restaurantes e pousadas.
  • Queda no turismo e paralisação da pesca.
  • Famílias deslocadas para abrigos municipais e atendimentos psicossociais.

Em 2018, um acordo judicial destinou R$ 7,6 milhões às famílias atingidas e R$ 3 milhões para projetos comunitários de assistência social e educacional.


Saiba mais sobre o acordo em: www.mpf.mp.br/pa/haidar 

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