O que está acontecendo na Amazônia? 27 de novembro de 2025

Passageiros denunciam mudanças repentinas e precariedade no serviço da Arapari Navegação; entenda o caso

Alteração no horário do barco das 6h, condição das embarcações e falta de resposta da empresa motivam reclamações de usuários; outros episódios recentes mostram histórico de problemas.

Passageiros que se deslocam frequentemente entre Belém, Abaetetuba e cidades vizinhas enviaram à redação do Amazônia no Ar denúncias contra a Arapari Navegação, empresa que atua praticamente sem concorrência na região onde opera. Segundo os usuários, a companhia alterou de forma inesperada o horário do barco das 6h, tradicionalmente utilizado por trabalhadores para chegar aos seus empregos pela manhã, sem aviso prévio, diálogo ou qualquer explicação oficial. As queixas também mencionam condições precárias nas embarcações e nos ônibus que integram o sistema de transporte da empresa.

Além do impacto direto no deslocamento diário, passageiros afirmam que não conseguem obter esclarecimentos: ligações, mensagens e reclamações seguem sem resposta por parte da empresa.

Problemas estruturais e relatos de insegurança

As denúncias contra a empresa também incluem condições precárias nas embarcações e nos ônibus que integram o sistema de transporte da mesma. Passageiros apontam manutenção insuficiente, veículos antigos, superlotação e panes recorrentes, que geram atrasos e colocam usuários em situações de risco. Em alguns casos, relatos mencionam episódios de tensão durante as viagens.

Os usuários afirmam que, por se tratar de uma empresa que opera praticamente sem concorrência em rotas essenciais da região, o serviço deveria ser mais seguro, transparente e acessível — o que, segundo eles, não ocorre atualmente.

Histórico de outras ocorrências envolvendo a Arapari Navegação

O princípio de incêndio em uma embarcação da empresa aconteceu em 2022. Foto: reprodução redes sociais

Em 2022, a Prefeitura de Salvaterra solicitou à ARCON a retirada da concessão da embarcação Lívia Marília após um princípio de incêndio na área do motor. Passageiros tiveram que ser resgatados por outra embarcação da empresa. À época, a Arapari afirmou se tratar de uma pane, mas não comentou o ofício enviado pela prefeitura.

2022: viagem com superlotação e água entrando na embarcação

Ainda em 2022, passageiros da rota Belém–Abaetetuba relataram pânico durante uma viagem sob forte chuva. A água entrou pelo teto da embarcação, que já estava superlotada depois de um remanejamento forçado devido a problemas mecânicos em outro barco. Mães com crianças relataram medo de naufrágio. Na época, denúncias foram enviadas à Capitania dos Portos sobre o caso.

No mesmo período, usuários relataram superlotação e más condições nos ônibus que fazem a linha Igarapé-Miri–Belém, operados pelo mesmo grupo empresarial.

2024: protesto na Vila da Barca após bloqueio de via pela empresa

Protesto contra bloqueio de via ocorrido em 2024 contra a empresa. Foto: reprodução / redes sociais / revista Cenarium

Em março de 2024, moradores da comunidade Vila da Barca, em Belém, protestaram após a empresa bloquear a principal via de acesso ao bairro com contêineres e tanques de combustível. A mobilização dos moradores forçou negociações com autoridades municipais e levou à liberação da área. A comunidade afirmou que o bloqueio prejudicava diretamente milhares de famílias que dependem da passagem para circular.

O que diz a Arapari Navegação?

A equipe do Amazônia no Ar entrou em contato com a Arapari Navegação para solicitar posicionamento sobre as denúncias via meios de comunicação como redes sociais e WhatsApp, entretanto, até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.


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