O que está acontecendo na Amazônia? 24 de novembro de 2025

COP30 encerra trabalhos com avanços importantes, mas sem consenso sobre combustíveis fósseis; saiba quais os resultados da conferência

Pacote de Belém reúne 29 decisões aprovadas por 195 países; Fundo de Florestas e triplo do financiamento de adaptação avançam, enquanto o “Mapa do Caminho” para afastar combustíveis fósseis fica para 2026.

Belém encerrou, no dia último dia 22 de novembro, uma das conferências do clima mais esperadas dos últimos anos. Foram 13 dias de negociações intensas, noites em claro e disputas políticas que resultaram no Pacote de Belém, conjunto de 29 decisões aprovadas por unanimidade pelos 195 países presentes. No centro do debate, ficaram temas como financiamento climático, adaptação, transição justa, gênero, comércio, além da polêmica discussão sobre o futuro dos combustíveis fósseis.

Os pontos positivos da COP30

1. Fundo Florestas Tropicais Para Sempre

Uma das maiores conquistas foi o lançamento do mecanismo global que paga, a longo prazo, pela conservação verificada de florestas tropicais.

  • Mais de US$ 6,7 bilhões já foram mobilizados.
  • 63 países endossaram o fundo.
  • O modelo inaugura uma economia baseada na floresta em pé, remunerando países conservacionistas sem depender de doações.

2. Triplo do financiamento para adaptação

O Pacote de Belém estabeleceu o compromisso de triplicar o financiamento para adaptação até 2035.
O foco é apoiar países vulneráveis: os que menos emitem, mas sofrem mais com secas, enchentes e desastres climáticos.

3. Avanço social: povos indígenas, afrodescendentes e gênero

Pela primeira vez, afrodescendentes foram mencionados nos documentos centrais da COP.
Os países também aprovaram:

  • um Plano de Ação de Gênero mais robusto,
  • fortalecimento do papel das mulheres indígenas, afrodescendentes e rurais,
  • reconhecimento ampliado dos povos indígenas e comunidades tradicionais como protagonistas da ação climática.

4. Implementação no centro

Belém consolidou a ideia de uma “COP da Implementação”, com novos mecanismos:

  • Acelerador Global de Implementação,
  • Missão Belém para 1,5°C,
  • Iniciativas para mobilizar trilhões em adaptação e restauração,
  • O Plano de Ação de Saúde de Belém, que torna a saúde uma prioridade climática.

Para o governo brasileiro, esse conjunto mostra que a COP30 “saiu do discurso para a entrega”.

O que não avançou — e gerou frustração

1. Falta de consenso sobre combustíveis fósseis

A grande derrota da conferência foi o fracasso em aprovar o Mapa do Caminho, roteiro para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis.
Apesar de apoio de 80 a 85 países, o texto foi bloqueado por nações com forte dependência de petróleo, gás e carvão.

Para organizações ambientais, foi “o acordo possível, mas insuficiente”.

2. Falta de ambição global

Lideranças e especialistas destacaram que:

  • a crise climática avança rápido,
  • enquanto as negociações permanecem lentas, travadas e fragmentadas.

O bloco europeu afirmou que “queria mais” e que o texto final não reflete a urgência da emergência climática.

3. Geopolítica dificultou negociações

A divisão global pesou:

  • EUA e China, que são os maiores emissores, evitaram assumir novas lideranças,
  • União Europeia esteve enfraquecida,
  • países produtores de petróleo bloquearam avanços,
  • China alegou que o financiamento climático avançou pouco.

O resultado final, segundo analistas, reflete um mundo sem coordenação.

Um avanço possível, mas longe do necessário

A presidência brasileira segue até 2026 e afirma que o Mapa do Caminho continuará sendo negociado.
A próxima COP será realizada na Austrália, em um modelo inédito de comando dividido com a Turquia.

A mensagem final da ministra Marina Silva resume o espírito da COP30:

“Continuamos capazes de cooperar, de aprender e de enfrentar a crise climática com persistência e esforço coletivo.”

André Corrêa do Lago afirmou: “Ao sairmos de Belém, este não é o fim de uma conferência, mas o início de uma década de mudança.”.


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