O que está acontecendo na Amazônia? 4 de maio de 2026

Governo do Pará envia polícia para área destinada à reforma agrária pelo Incra

O sudeste do Pará volta a ser palco de uma intensa disputa fundiária envolvendo o Governo do Estado, o Governo Federal e movimentos sociais. A governadora Hana Ghassan (MDB) determinou o envio de contingentes das Polícias Civil e Militar para a Fazenda Entre Rios, em Marabá, com o objetivo de retirar famílias de trabalhadores rurais […]

O sudeste do Pará volta a ser palco de uma intensa disputa fundiária envolvendo o Governo do Estado, o Governo Federal e movimentos sociais. A governadora Hana Ghassan (MDB) determinou o envio de contingentes das Polícias Civil e Militar para a Fazenda Entre Rios, em Marabá, com o objetivo de retirar famílias de trabalhadores rurais acampadas no local. Enquanto o Estado sustenta que a ação visa garantir o “direito à propriedade”, documentos oficiais apontam que a área já está destinada à criação de um assentamento federal.

Através de suas redes sociais, a governadora afirmou que a medida busca “restabelecer a ordem” diante do que classificou como invasão de propriedade privada.

Confira abaixo o anúncio da governadora:

No entanto, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) contesta a versão oficial, afirmando que a ocupação ocorre em um território público federal já reconhecido como de interesse social para fins de reforma agrária.

Assentamento Maria Glória

A área em disputa, que compreende as fazendas Encontro das Águas e Campo Alegre (conhecidas regionalmente como Entre Rios), foi oficialmente incluída na Portaria nº 1.529, de 22 de dezembro de 2025, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O documento institui o Projeto de Assentamento Maria Glória, com mais de 4,8 mil hectares, destinado a abrigar 194 famílias de trabalhadores rurais.

Em abril de 2026, a União e o Incra ingressaram com uma ação civil pública pedindo a imissão na posse das terras, alegando que a área pertence ao poder público (integrante da Gleba Itacaíunas) e estaria sob exploração irregular de particulares. De acordo com os movimentos sociais, a presença das famílias no local não é uma invasão, mas uma pressão legítima pela efetivação do assentamento já formalizado no papel.

Clima de tensão e denúncias

A intervenção policial sem o respaldo de uma decisão judicial de reintegração de posse gerou forte reação de entidades de direitos humanos. Em nota, o MST, declararam que não aceitarão “qualquer forma de violência ou intimidação” contra as famílias acampadas.

Confira:

“A Luta pela Terra e a Janela de Esperança no Sudeste do Pará

A criação do Projeto de Assentamento Maria Glória pelo Incra em dezembro de 2025 foi um passo concreto na direção correta. Mas a efetiva implantação do projeto depende da imissão na posse. Enquanto a Justiça não decidir, as famílias seguem aguardando.

Ação civil pública proposta em abril de 2026 pela União e pelo Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (Incra) pede a imissão na posse das terras conhecidas
como “Fazenda Entre Rios”, em Marabá, para ali assentar 194 famílias de trabalhadores
rurais.

Organizações de defesa dos direitos humanos também criticaram a postura do Estado, acusando-o de manter um “sistema de impunidade” e de utilizar as forças de segurança de forma seletiva em favor de latifundiários. O jornal Amazônia no Ar solicitou posicionamento oficial do Governo do Estado e aguarda retorno.

*Matéria realizada com informações do portal Ponto de Pauta.

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