Sete coisas que você precisa saber sobre o prefeito da cidade sede da COP 30
Igor Normando está há pouco mais de seis meses no comando da Prefeitura de Belém e já acumula decisões polêmicas
À frente da administração de Belém desde janeiro de 2025, o prefeito Igor Normando (MDB) tem protagonizado uma série de ações que vêm gerando críticas e debates intensos na capital paraense — especialmente por se tratar da cidade que sediará a Conferência do Clima da ONU, a COP 30. A seguir, listamos sete pontos fundamentais para entender como vem sendo construída a gestão do atual prefeito, marcada por polêmicas e críticas, com menos de sete meses a frente da gestão:
1. Igor Normando chegou à prefeitura sob desconfiança e alta rejeição do antecessor

A eleição marcada por ausência nos debates e apadrinhamento político
A eleição de Igor Normando à prefeitura de Belém ocorreu em meio a uma crise de imagem do então prefeito Edmilson Rodrigues (PSOL), que acumulava 75,4% de desaprovação, conforme levantamento do Instituto Paraná Pesquisas realizado entre os dias 7 e 12 de março de 2024.
Normando, que é primo do governador do estado, Helder Barbalho, recebeu o apelido de Igor “nãomando”, em alusão a máxima de que apenas recebe ordens do governador. A ausência em debates foi um dos pontos mais questionados de sua eleição: ele não compareceu a maioria, entre eles ao debate promovido pelo BT Mais — que reuniu quatro dos seis candidatos mais bem colocados nas pesquisas — e também se ausentou do último debate do segundo turno, organizado pela TV Liberal, afiliada da TV Globo, e realizado na véspera da eleição.
Na época, Igor alegou uma agenda cheia de compromissos como motivo para não participar dos confrontos. Ao todo, nove candidatos disputaram a prefeitura de Belém em 2024.
Atualmente, já como prefeito da capital paraense, Igor continua sendo acusado pela população de ser “mandado” pelo governo do estado, tendo pouca ou nenhuma autonomia nas decisões políticas.
2. Extinção do Bora Belém após promessa de continuidade

Programa de transferência de renda é encerrado, afetando 80 mil pessoas
Criado durante a pandemia, o programa Bora Belém era voltado à população em situação de extrema pobreza, por meio de uma parceria entre a prefeitura e o governo estadual, com coordenação da Funpapa.
Durante a campanha, Igor prometeu não apenas manter o benefício, mas ampliar o número de famílias atendidas. No entanto, em abril de 2025, o programa foi extinto após sanção de um projeto de lei do vereador Zezinho Lima (PL). O prefeito não vetou a medida, o que permitiu sua promulgação. O impacto foi imediato: cerca de 18 mil famílias perderam o auxílio.
3. Fim da Funbosque causa revolta e reação de órgãos de controle

Encerramento da tradicional fundação socioambiental foi alvo de críticas
A extinção da Fundação Escola Bosque (Funbosque), em março de 2025, através da Lei 10.143, gerou forte reação da comunidade escolar, de ambientalistas e do Ministério Público Federal (MPF). A prefeitura justificou a medida como uma forma de “otimização administrativa”, mas críticos apontam a perda da autonomia da instituição e a descontinuidade de projetos educacionais e ambientais.
A decisão de integrar a Funbosque à Secretaria Municipal de Educação (Semec) foi tomada sem consulta à comunidade acadêmica, gerando questionamentos sobre a legalidade do processo.
4. Declaração sobre ribeirinhos e meio ambiente
Prefeito afirmou que preservação não é prioridade dos ribeirinhos
Durante o painel “O que a COP 30 representa para o Brasil”, em um evento promovido pelo grupo Globo, em abril deste ano, Igor Normando afirmou que a subsistência dos ribeirinhos deve ser considerada antes de se discutir preservação ambiental. “Quem está com fome não pensa em mudanças climáticas. Ele quer matar a fome do dia”, disse o prefeito.
A fala gerou muitas críticas sobre o desconhecimento do prefeito sobre o modo de vida tradicional e a gênese da conservação dos povos da floresta.
Veja o vídeo:
5. Suposta “máfia dos guinchos” levanta suspeitas de favorecimento

Parentesco entre sócio de empresa contratada e ex-chefe de gabinete da prefeitura gera CPI
Reportagem da Folha do Pará, checada pela equipe do Amazônia no Ar, revelou suspeitas envolvendo a empresa Auto Lance Pátio e Leilões, responsável pela remoção de veículos em Belém, e sua ligação com Clidean Chaves, irmão do então chefe de gabinete da prefeitura, Cleiton Chaves.
Apesar do contrato emergencial, a proximidade entre os envolvidos levantou questionamentos. Estima-se que a arrecadação mínima com os mais de 1.500 veículos removidos ultrapasse R$ 490 mil. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI dos Guinchos) foi proposta, mas conta com apenas cinco assinaturas até o momento.
Após as denúncias, a prefeitura informou ter rescindido o contrato com a empresa em 5 de junho de 2025, e que um novo edital de licitação será publicado. Até o momento, nenhuma novidade sobre esse edital foi publicada.
6. Restaurante Popular fechado sem previsão de reabertura
População vulnerável fica sem acesso a refeição de baixo custo
Em 31 de janeiro de 2025, o Restaurante Popular de Belém fechou as portas após o fim do contrato com a empresa terceirizada. Desde então, o prédio foi alvo de saques e vandalismo.
A prefeitura informou que está em processo de contratar uma nova empresa, mas não deu prazo para reabrir o serviço. Críticos, como o ex-prefeito Edmilson Rodrigues, alegam que um aditamento contratual poderia ter evitado a interrupção.
O caso gerou indignação e denúncias ao Ministério Público, já que o restaurante era uma importante política de segurança alimentar para a população em situação de vulnerabilidade.
Durante 16 anos, o restaurante popular serviu mais de 1.200 refeições diárias a R$2 com foco em atender trabalhadores, idosos e pessoas em situação de rua. No último mês de junho, imagens do local abandonado e saqueado circularam na web. Poucos meses antes de fechar as portas, em 2024, o local havia sido reformado com 2,4 milhões de investimento público. Não resta mais nada no local a não ser escombros.
7. Funpapa enfrenta denúncias de desmonte e precarização
Sindicato denuncia paralisação de serviços essenciais da assistência social
Servidores da Funpapa realizaram, em julho de 2025, um protesto denunciando o desmonte da política de assistência social em Belém. Entre as críticas feitas pelo Sindicato dos Trabalhadores do SUAS (Sintsuas) estão:
- Falta de combustível e insumos básicos;
- Demissões de motoristas, cadastradores do CadÚnico e trabalhadores do abrigo Warao;
- Suspensão de auxílios como aluguel, natalidade e funeral;
- Propostas de fechamento de unidades do CRAS;
- Transferência de serviços públicos para ONGs.
O sindicato cobra transparência da gestão municipal e denúncia o esvaziamento de programas essenciais — especialmente após o fim do Bora Belém. Uma agenda de visitas a bairros da capital foi iniciada para ouvir a população e pressionar por respostas.
A equipe do Amazônia no Ar entrou em contato com a prefeitura sobre o caso e aguarda retorno.
O que esperar da gestão até a COP 30?
Com pouco mais de meio ano de mandato, Igor Normando já enfrenta desgaste político e pressões sociais importantes. A expectativa é de que o cenário se torne ainda mais complexo com a aproximação da Conferência do Clima, prevista para novembro de 2025, que deve atrair os olhos do mundo para Belém.
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