O que está acontecendo na Amazônia? 29 de setembro de 2025

Rio Amazonas é o segundo mais poluído por plástico no mundo, revela pesquisa

Estudo da Fiocruz alerta para contaminação plástica na Amazônia às vésperas da COP30 e destaca riscos à saúde humana e à biodiversidade

Faltando menos de dois meses para a COP30, que será realizada em Belém, um estudo coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, chama atenção para a “extensa contaminação” por plásticos na Amazônia.

O artigo, publicado na revista científica AMBIO, aponta que o Rio Amazonas é responsável por cerca de 10% da entrada de plásticos nos oceanos, tornando-se a segunda maior fonte de poluição desse tipo no mundo. A pesquisa caracteriza a região como uma “nova fronteira para o lixo plástico”.

Impactos para ecossistemas e comunidades

De acordo com os autores, a poluição plástica afeta não apenas os ecossistemas marinhos, mas também os ambientes terrestres e de água doce. A bióloga Jéssica Melo, colaboradora da Fiocruz, alerta que a contaminação coloca em risco a segurança alimentar e hídrica de populações tradicionais.

Além disso, os resíduos representam ameaça direta à biodiversidade, uma vez que macro, micro e nanoplásticos se acumulam em rios, sedimentos, fauna e flora. “A contaminação de fontes importantes de alimentos e de água representa um grande risco para a saúde de populações tradicionais”, reforça Melo.

Falta de políticas públicas e desafios regionais

Pesquisadores do Instituto Mamirauá destacam que o aumento da poluição é agravado pela carência de infraestrutura básica de coleta e reciclagem na região amazônica. Nas comunidades ribeirinhas, onde os resíduos antes eram biodegradáveis, agora predominam garrafas PET, embalagens e plásticos descartáveis.

Enquanto cidades do litoral, como Rio de Janeiro e Salvador, já implementaram restrições ao uso de plásticos de uso único, grande parte dos municípios amazônicos ainda não possui políticas públicas de redução ou reciclagem.

Pesquisa inédita e alerta global

O estudo revisou 52 pesquisas já publicadas e aplicou um protocolo sistemático para avaliar a contaminação por plástico na Amazônia. Para Jesem Orellana, epidemiologista da Fiocruz, os resultados revelam um impacto “muito maior do que a maioria das pessoas imagina”.

Segundo ele, a publicação ocorre em um momento estratégico: em agosto, a ONU estabeleceu prazo para que 180 países apresentassem propostas para um tratado global contra a poluição plástica. “A proximidade da COP30 torna ainda mais urgente debater os resultados e pensar soluções”, afirma Orellana.

Por: Jorge Bentes


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