Relatório do CRM-PA: Falta de neurocirurgiões no PSM da 14 está ligada a mortes de pacientes
Uma fiscalização presencial realizada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM-PA) no Hospital de Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti (PSM da 14), em Belém, confirmou um cenário de colapso no atendimento especializado. O relatório técnico aponta que a unidade não dispõe de médico neurocirurgião em regime de plantão desde o dia 13 […]
Uma fiscalização presencial realizada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM-PA) no Hospital de Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti (PSM da 14), em Belém, confirmou um cenário de colapso no atendimento especializado.
O relatório técnico aponta que a unidade não dispõe de médico neurocirurgião em regime de plantão desde o dia 13 de março de 2026. A ausência desses profissionais tem tido consequências fatais. Durante a inspeção, foram registrados casos de pacientes que evoluíram para óbito sem receber a devida avaliação neurocirúrgica. Entre as vítimas mencionadas no documento, um paciente com trauma raquimedular e outro identificado como Eloan morreram sem o atendimento da especialidade. Na “sala amarela”, outro paciente entubado também faleceu após quase duas semanas aguardando, sem sucesso, por uma avaliação técnica.
Bloqueio na regulação e leitos improvisados
Embora a gestão municipal alegue o redirecionamento de casos para hospitais credenciados, o CRM-PA constatou que o fluxo é ineficiente. Pacientes com traumatismo cranioencefálico (TCE) e AVC hemorrágico na “sala vermelha” não conseguem transferência devido à falta de vagas em Centros de Terapia Intensiva (CTI) nos hospitais de destino, permanecendo desassistidos no PSM.
A estrutura física da unidade também apresenta graves irregularidades:
- Equipamentos: O sistema de verificação de imagens radiológicas estava inoperante por falta de pagamento. Na ortopedia, materiais cirúrgicos foram descritos como “praticamente inutilizados” e o aparelho de raio-X portátil está quebrado há meses.
- Acomodações: Metade dos leitos da sala amarela é composta por macas de transporte inadequadas, o que tem causado escaras nos pacientes.
- Insumos: Há relatos de falta de medicação, roupas de cama para pacientes e até materiais técnicos básicos na pediatria, como lâminas de laringe, que chegam a ser compradas pela própria equipe de saúde.
Irregularidades administrativas
O relatório finalizado no dia 25 março de 2026, destaca que o hospital opera em situação cadastral irregular junto ao órgão de classe. Não há um Diretor Técnico Médico formalmente registrado e as comissões obrigatórias como as de Ética Médica, Revisão de Óbitos e Revisão de Prontuários não estão em funcionamento.
O CRM-PA recomendou, em caráter de urgência, a contratação imediata de neurocirurgiões para plantão presencial, a reforma das instalações físicas e a regularização administrativa da unidade perante o conselho.
O jornal Amazônia no Ar solicitou posicionamento da Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) e aguarda retorno.