O que está acontecendo na Amazônia? 17 de novembro de 2025

“Que possamos defender a vida da Terra”: Cacique Raoni encerra a Cúpula dos Povos com apelo por união na luta climática

Liderança indígena reforça denúncias contra “falsas soluções” para a crise do clima e defende protagonismo dos povos tradicionais; carta final do evento será entregue à presidência da COP30.

A Cúpula dos Povos, realizada paralelamente à COP30 em Belém, encerrou neste último domingo (16) com uma mensagem do cacique Raoni Metuktire. Em seu discurso final, o líder indígena lembrou que há décadas alerta o mundo sobre a destruição das florestas, das águas e dos modos de vida dos povos originários.

Há muito tempo, eu vinha alertando sobre o problema que estamos passando — mudanças climáticas, destruição, guerras”, disse. Raoni também pediu que a mobilização continue: “Quero que sigamos na continuidade dessa luta, para defender a vida da Terra e impedir que destruam a nossa casa comum”.

O líder ainda criticou conflitos e guerras ao redor do mundo e cobrou respeito entre os povos: “Há muito tempo, venho dizendo que precisamos viver em paz nessa terra”.

Banquetaço e cultura marcam encerramento

Após cinco dias de encontros, mobilizações e manifestações, a Cúpula dos Povos terminou com um grande “banquetaço” na Praça da República, em Belém. Cozinhas comunitárias prepararam refeições gratuitas para o público, em um ato político-cultural.

Durante o encerramento, foi lida a Carta Final da Cúpula dos Povos, documento que critica duramente soluções consideradas “mercadológicas” ou “inadequadas” para enfrentar a emergência climática — como compensações de carbono e projetos sem participação social.

O texto foi entregue ao presidente da COP30, André Corrêa do Lago, que afirmou que levará as demandas às reuniões ministeriais que começam nesta segunda-feira (17).

Carta denuncia capitalismo e pede participação dos povos

A carta afirma que o modo de produção capitalista é o principal motor da crise climática e que comunidades periféricas, negras, indígenas e tradicionais sofrem com racismo ambiental e eventos climáticos extremos.

Entre as reivindicações listadas no documento, estão:

  • demarcação de terras indígenas;
  • reforma agrária e apoio à agroecologia;
  • fim dos combustíveis fósseis;
  • taxação de grandes corporações;
  • participação efetiva dos povos na construção de soluções;
  • fim das guerras e da violência contra povos originários.

O texto também faz críticas à extrema direita global, denuncia ações militares dos EUA no Caribe e reafirma solidariedade à Palestina.

Diversidade marcou dias de debate e mobilização

Segundo a organização, dezenas de milhares de pessoas participaram da Cúpula dos Povos, entre movimentos sociais brasileiros e internacionais, povos indígenas, comunidades tradicionais, quilombolas, pescadores, trabalhadores urbanos, LGBT+, juventudes e grupos periféricos.

A programação começou com uma barqueata na Baía do Guajará e incluiu plenárias, oficinas, rituais, debates e a Marcha Mundial pelo Clima, que levou mais de 70 mil pessoas às ruas de Belém no último sábado (15).


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