O que está acontecendo na Amazônia? 26 de fevereiro de 2026

Pulverização aérea envenena roças e ameaça famílias no Assentamento Quintino Lira, no Pará

Moradores do Assentamento Quintino Lira, em Santa Luzia do Pará, denunciam mais um caso de crime ambiental no nordeste do estado. Cerca de 30 famílias afirmam que suas lavouras foram contaminadas após pulverização aérea de agrotóxicos, prática que provocou a morte de folhas de maniva e de outras culturas cultivadas na região. Segundo os relatos, […]

Moradores do Assentamento Quintino Lira, em Santa Luzia do Pará, denunciam mais um caso de crime ambiental no nordeste do estado. Cerca de 30 famílias afirmam que suas lavouras foram contaminadas após pulverização aérea de agrotóxicos, prática que provocou a morte de folhas de maniva e de outras culturas cultivadas na região.

Segundo os relatos, a contaminação foi identificada ao longo desta semana e estaria relacionada ao uso de drones para aplicação de defensivos por fazendeiros da área. As famílias apontam a Fazenda Arco Verde, anteriormente conhecida como Fazenda Bom Jesus, vem promovendo a problemática, realizada em área próxima ao assentamento, atingindo também nascentes de rios e áreas de produção orgânica.

As denúncias não são recentes. Desde 2021, os moradores do Quintino Lira registram ocorrências semelhantes. O proprietário da Fazenda Arco Verde, conhecido como Murilo, já foi condenado anteriormente a pagar R$ 50 mil em indenização por danos causados pela pulverização aérea, valor que, à época, foi destinado à compra de móveis e equipamentos para a escola do assentamento, segundo denuncia o assentamento.

A pulverização irregular por drones está entre as principais causas de contaminação por agrotóxicos, com impactos diretos à saúde humana, ao meio ambiente e à segurança alimentar das comunidades rurais.

Diante do novo episódio, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) cobra providências e pede a atuação de órgãos de fiscalização e defesa de direitos, como o Ministério Público do Estado do Pará, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, a Defensoria Pública do Estado do Pará, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará e a Sociedade Defensora dos Direitos Humanos.

As famílias pedem investigação rigorosa e responsabilização dos envolvidos para evitar que novos casos de contaminação se repitam e para garantir o direito à produção segura, à saúde e ao meio ambiente no Assentamento Quintino Lira.

O Ministério Público Federal no Pará se manifestou em nota:

“Desde 2021, o MPF atua em um procedimento de acompanhamento da regularização fundiária no local. Essas informações divulgadas esta semana pelas famílias de trabalhadores rurais estão sendo incluídas no procedimento de acompanhamento, para análise e eventual adoção de novas providências pelo MPF. Seguimos à disposição.”

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