O que está acontecendo na Amazônia? 29 de outubro de 2025

Projeto “Prato Firmeza Amazônia” valoriza a culinária regional e debate justiça climática

Projeto da Énois destaca saberes tradicionais da culinária amazônica e discute os impactos da crise climática na produção de alimentos

A crise climática tem afetado diretamente a produção de alimentos e o acesso à comida. Diante desse cenário, o projeto “Prato Firmeza Amazônia – raízes da culinária tradicional brasileira”, realizado pela Énois, propõe colocar a alimentação no centro do debate sobre justiça climática, destacando os saberes e modos de produção tradicionais da região amazônica.

Às vésperas da COP30, a iniciativa reforça a importância de reconhecer o papel de quem planta, pesca, colhe e cozinha na construção de soluções sustentáveis para o planeta. Segundo o Observatório do Clima, 75% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil vêm de sistemas alimentares predatórios, baseados em práticas intensivas de produção e desmatamento.

Um projeto que une cultura e meio ambiente

O Prato Firmeza Amazônia mostra que os saberes indígenas, quilombolas, ribeirinhos e periféricos oferecem caminhos sustentáveis e regenerativos para a produção de alimentos. A proposta é valorizar o alimento ancestral e típico da Amazônia, que há séculos garante equilíbrio entre natureza, cultura e sobrevivência.

“O Prato Firmeza nasceu valorizando a comida feita por produtores locais – o cachorro-quente, o hambúrguer e as comidas de rua. Hoje, ele ocupa um lugar que discute direito à alimentação, soberania alimentar e cultura alimentar”, explica Amanda Rahra, fundadora e diretora de operações da Énois.

Para o chef paraense Thiago Castanho, a Amazônia tem a oportunidade de sair do estereótipo do “exótico” e assumir protagonismo global. “Enquanto o mundo discute como alimentar populações de forma sustentável, a resposta já vem sendo praticada há séculos pelos povos tradicionais da região”, afirma.

Histórias da Amazônia que resistem à crise climática

O guia reúne histórias que mostram os impactos da crise climática e a resistência de comunidades locais.
Em Belém, o restaurante Calmaria da Amélia, localizado na Vila da Barca, enfrenta o aumento de preços dos insumos e as dificuldades da vida ribeirinha. O As Negonas usa a comida como instrumento de combate ao racismo e afirmação de identidade.

Em Manaus, a tradicional Peixaria do Jokka Loureiro, às margens do Rio Negro, sofre com a seca e a escassez de peixes — reflexos diretos da mudança climática. Também na capital amazonense, o ritual do caxiri, relatado por Carla Wisu, mostra como o alimento é memória coletiva e resistência cultural.

Lideranças indígenas como Orleidiane Tupaiú, da aldeia Aminã (PA), e Clarinda Sateré-Mawé, da Casa Biatuwi (AM), reforçam que cozinhar é também cuidar da terra, da saúde e do coletivo.

Da periferia à Amazônia

Criado em 2016, o Prato Firmeza nasceu como um guia gastronômico das periferias de São Paulo, com foco em comida de rua e empreendedores locais. Desde então, se transformou em uma plataforma de comunicação e cultura alimentar que já impactou cerca de 2 milhões de pessoas com livros, podcasts, webséries e conteúdos audiovisuais.

Com a edição amazônica, o projeto amplia seu alcance e reafirma o compromisso da Énois com a comunicação comunitária e o fortalecimento de territórios sustentáveis.

Parcerias e realização

O Prato Firmeza Amazônia é uma realização da Énois e do Ministério da Cultura, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio do Assaí e da RD Saúde. A iniciativa conta com apoio da WWF, Instituto Clima e Sociedade e Instituto Ibirapitanga, além de tradução indígena feita pela Coordenação de Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e acessibilidade por Amanda LeLibras.

O projeto também tem parcerias com o Pavulagem, o Puxirum do Bem Viver e o Tapajós de Fato.

Quer saber mais? O livro está disponível em português e inglês nas Edições Prato Firmeza
Também tem Podcast! Os episódios estão disponíveis no YouTube e Spotify: Comida que cura, território que fala e Saudando a mandioca

Confira clicando aqui.

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