Patrimônio em risco: Ciência paraense corre para salvar espécie medicinal ameaçada de extinção
Pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) lançaram uma ofensiva científica para garantir a sobrevivência do uixi-liso (Poraqueiba guianensis), uma espécie botânica de alto valor medicinal e alimentício que corre risco real de desaparecer da Amazônia. A planta, historicamente utilizada por comunidades tradicionais em Santarém e […]
Pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) lançaram uma ofensiva científica para garantir a sobrevivência do uixi-liso (Poraqueiba guianensis), uma espécie botânica de alto valor medicinal e alimentício que corre risco real de desaparecer da Amazônia.
A planta, historicamente utilizada por comunidades tradicionais em Santarém e Belterra para o tratamento de inflamações e doenças geniturinárias, enfrenta uma redução drástica de suas populações naturais devido à fragmentação florestal e ao avanço das fronteiras agrícolas na região.
Entenda a ação
A estratégia de salvaguarda envolve o mapeamento das árvores remanescentes e a coleta de material genético para a criação de bancos de germoplasma. Segundo os especialistas envolvidos, o uixi-liso não é apenas um recurso natural, mas um “patrimônio biotecnológico”. A extinção da espécie representaria o fechamento de uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de novos fármacos fitoterápicos e um golpe severo na soberania alimentar das populações ribeirinhas, que dependem da biodiversidade local para subsistência e cura.
O projeto também busca integrar os produtores rurais na cadeia de conservação, incentivando o plantio do uixi-liso em sistemas agroflorestais. A ideia é transformar a preservação em um ativo econômico, provando que a “floresta em pé” e a bioeconomia são alternativas viáveis ao desmatamento. O esforço conjunto entre cientistas e guardiões da floresta tenta evitar que mais uma joia da flora paraense se torne apenas uma lembrança nos registros botânicos, enquanto o avanço das queimadas e da exploração predatória segue pressionando o ecossistema do Oeste paraense.
*Matéria realizada com informações do portal Carta Amazônia.