O que está acontecendo na Amazônia? 4 de abril de 2026

Páscoa na Amazônia: Dona Nena mantém tradição de família com produção sustentável e floresta em pé

Na Ilha do Combu, em Belém, a Páscoa dos ovos industrializados dá lugar à tradição, fé e produção artesanal, mantida mãos mãos de Izete Costa, mais conhecida como Dona Nena, mãe, amazônida e empreendedora riberinha que mantém como uma das heranças de seus pais, a forma de produzir chocolate com sustentabilidade. Mulher de negócios e […]

Na Ilha do Combu, em Belém, a Páscoa dos ovos industrializados dá lugar à tradição, fé e produção artesanal, mantida mãos mãos de Izete Costa, mais conhecida como Dona Nena, mãe, amazônida e empreendedora riberinha que mantém como uma das heranças de seus pais, a forma de produzir chocolate com sustentabilidade. Mulher de negócios e de fé, ela fundou a Filha do Combu – Casa do Chocolate, na Ilha do Combu, um dos destinos mais procurados em Belém. E lá, ela perpetua a receita da família com cacau plantado e colhido da floresta em pé.

Durante o período da Páscoa, a rotina na ilha se intensifica com a produção de chocolates artesanais da família, feitos de forma orgânica e sustentável. Segundo Dona Nena, a celebração ainda preserva costumes antigos, como o silêncio, o jejum e a oração, embora essas práticas venham se perdendo com o maior acesso à cidade. “Muitas famílias ainda se reúnem no domingo para celebrar, sentar juntas e comer seu chocolate, mas esse costume já foi mais forte”, relata.

A tradição do chocolate artesanal vem de gerações. Dona Nena aprendeu a técnica com os pais, produtores de cacau que fabricavam o próprio chocolate para consumo e venda. Hoje, ela mantém o método tradicional, utilizando apenas cacau e açúcar, sem aditivos químicos, e transformou o saber familiar em um negócio que atrai turistas e valoriza a cultura local.

“Desde que eu era criança, nós plantávamos cacau em casa. Era tudo feito de forma natural, sem conservantes. No início, o cacau era amassado em pilão. Com um moedor mecânico, tudo mudou. Conseguimos a barra 100% cacau”, afirmou.

Hoje, ela vende de vinho e cachaça de cacau até chocolates em barra com várias porcentagens do fruto, bombons recheados com elementos regionais, bolos, pães e brigadeiros e chocolate de cupuaçu.

A produção acontece no meio da floresta, com respeito ao meio ambiente. O empreendimento trabalha com o conceito de “floresta em pé”, utilizando frutos colhidos de forma sustentável e integrando diferentes culturas agrícolas ao redor da plantação. A fábrica também adota práticas ecológicas, como o uso de energia solar e sistema de captação de água da chuva.

Além de preservar tradições, o negócio também impulsiona a economia local. Atualmente, a empresa emprega 21 trabalhadores com carteira assinada, a maioria mulheres moradoras da ilha. “A gente respeita nossos colaboradores e busca fortalecer a comunidade”, destaca Dona Nena, que também tem recebido procura de moradores da capital interessados em trabalhar no local.

Dona Nena supervisiona cada parte da produção de perto. Ela é quem decide a hora de manejar os pés de cacau, de colocar as sementes para fermentar, tirá-las da estufa e por para secar. Há ainda os passeios turísticos pela “trilha do chocolate”, no quintal de Dona Nena.

A Páscoa na Amazônia resiste por meio de iniciativas como a da Casa do Chocolate, que unem cultura, sustentabilidade e geração de renda, mantendo viva a tradição que atravessa gerações, como a Dona Nena e o seu negócio nos mostram.

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