O que está acontecendo na Amazônia? 12 de dezembro de 2025

Pará, Pernambuco e Sergipe aderem a movimento global para proteger manguezais

Estados se juntam ao “Mangrove Breakthrough”, iniciativa internacional que busca restaurar 15 milhões de hectares até 2030

Os governos do Pará, Pernambuco e Sergipe oficializaram a adesão ao movimento global Mangrove Breakthrough, iniciativa dedicada à proteção e restauração de manguezais no mundo. A cidade de Aracaju também confirmou participação. A entrada desses entes federativos reforça um esforço internacional para conservar um dos ecossistemas mais estratégicos diante da crise climática.

Conexão com metas internacionais e financiamento climático

Criado na COP27, em 2022, o Mangrove Breakthrough integra a Agenda de Adaptação de Sharm el-Sheikh e tem como principal meta mobilizar US$ 4 bilhões até 2030 para restaurar e conservar 15 milhões de hectares de manguezais.
O movimento estimula a cooperação entre governos, comunidades tradicionais, organizações ambientais e setor privado.

Monique Galvão, diretora-executiva da Rare Brasil — parceira do movimento — afirma que a adesão dos estados é simbólica e estratégica.
“A participação desses governos fortalece a proteção das áreas já conservadas e amplia o olhar para regiões do Nordeste, Sul e Sudeste, onde os manguezais sofrem maior pressão”, destacou.

A integração também abre portas para capacitação técnica, troca de experiências e possíveis acessos a financiamentos climáticos internacionais.

Importância dos manguezais

Ecossistema essencial para clima, biodiversidade e comunidades

O Brasil possui a quarta maior área de manguezais do planeta. Pesquisas apontam que esse ecossistema captura de três a cinco vezes mais carbono por hectare do que a Floresta Amazônica.
Tiago Osório Ferreira, professor da ESALQ e coordenador de estudos sobre “carbono azul”, explica que os manguezais são essenciais para “proteger a costa, abrigar espécies marinhas e sustentar modos de vida tradicionais.”

Além do valor ambiental, o ecossistema tem expressivo impacto socioeconômico: o conjunto de serviços ambientais dos manguezais representa cerca de US$ 90 mil por hectare por ano.

Apesar disso, áreas têm sido degradadas por ocupações irregulares, carcinicultura e mudanças no uso da terra. A ONU alerta que a perda de manguezais já afeta mais de mil espécies. E, segundo a IUCN, metade dessas florestas pode colapsar até 2050 se nada for feito.


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