O que está acontecendo na Amazônia? 20 de março de 2026

Ouro roxo, lucro externo: Exportações de açaí batem US$ 140 milhões, mas riqueza foge do Pará e enriquece o resto do mundo

O açaí consolidou-se como o motor da bioeconomia do Norte, mas o setor enfrenta agora sua “prova de fogo”. Segundo o relatório do projeto Amazônia 2030, o Brasil atingiu a marca histórica de quase 2 milhões de toneladas de frutos em 2023, com o Pará respondendo por mais de 80% da produção nacional. Contudo, o […]

O açaí consolidou-se como o motor da bioeconomia do Norte, mas o setor enfrenta agora sua “prova de fogo”. Segundo o relatório do projeto Amazônia 2030, o Brasil atingiu a marca histórica de quase 2 milhões de toneladas de frutos em 2023, com o Pará respondendo por mais de 80% da produção nacional. Contudo, o sucesso nas exportações, que superaram US$ 140 milhões em 2024 e alcançaram mais de 30 países, esconde um cenário de vulnerabilidade: a falta de padronização, gargalos logísticos e a pressão internacional por critérios de sustentabilidade.

O estudo de outubro de 2025 destaca que, embora a produção industrial de polpa tenha expandido 17 vezes nas últimas duas décadas, o valor que fica na região ainda é desproporcional ao lucro gerado nas gôndolas do exterior. Enquanto o preço da polpa no mercado interno subiu para a casa dos R$ 8 a R$ 10/kg, a maior parte do lucro global (estimado em bilhões de dólares) permanece com empresas estrangeiras que processam o fruto em produtos de alto valor agregado, como suplementos e cosméticos.

As mesas executivas e a ameaça externa

Para enfrentar esse cenário, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas) e parceiros como a ApexBrasil têm apostado nas “Mesas executivas de bioeconomia”. O objetivo é criar uma governança colaborativa para resolver entraves regulatórios e sanitários que hoje impedem o avanço de marcas locais.

O relatório alerta: países como Colômbia, Peru e Equador já começaram a plantar açaí e avançam sobre o mercado internacional, utilizando-se de certificações que o Brasil ainda patina para consolidar. Além da concorrência, o setor lida com seis desafios críticos: questões trabalhistas na colheita (que ameaçam o acesso a mercados premium), a “açaização” de áreas de várzea e a necessidade urgente de inovação tecnológica no beneficiamento. “Transformar esse sucesso em diferenciação sustentável exige ação coletiva”, aponta o estudo.

*Matéria realizada com informações do site Amazônia 2030.

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