O que está acontecendo na Amazônia? 28 de janeiro de 2026

MP Eleitoral pede condenação de Hana Ghassan por propaganda antecipada em ação movida pelo PSOL

Parecer enviado ao TRE do Pará aponta uso indevido da imagem da vice-governadora em ações institucionais e festas populares

O Ministério Público Eleitoral (MPE) se manifestou pela condenação da vice-governadora do Pará, Hana Ghassan Tuma, em uma ação que apura propaganda eleitoral antecipada e uso indevido da estrutura pública para promoção pessoal. O parecer foi assinado pelo procurador regional eleitoral Bruno Araújo Soares Valente e integra um processo em tramitação no Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), movido pela Federação PSOL–Rede.

O que o Ministério Público aponta

No documento, o MP afirma haver indícios de uma “massificação indevida e intencional” da imagem e do nome da vice-governadora em eventos ligados ao Governo do Pará. Segundo o órgão, isso pode ferir o princípio constitucional da impessoalidade, que determina que ações e políticas públicas não devem ser associadas à promoção de autoridades.

Para o Ministério Público Eleitoral, atos de governo não podem servir como vitrine política para agentes públicos, sobretudo quando a autoridade é apontada como pré-candidata em eleição futura.

O parecer entende que os fatos analisados podem configurar:

  • Propaganda eleitoral antecipada — promoção política antes do período autorizado por lei
  • Conduta vedada a agente público — quando a visibilidade do cargo e a estrutura estatal são utilizadas para fins eleitorais

Eventos citados na ação

O MP se baseia em três situações ocorridas em 2025. Segundo a acusação, durante evento do programa estadual “Por Todas Elas” teriam sido exibidos banners e faixas com nome e imagem da vice-governadora em destaque, fora do padrão visual considerado institucional. Para o MP, isso indicaria personalização de política pública.

Círio de Nazaré 2025

O parecer também cita a distribuição de ventarolas (leques) com imagem e nome de Hana Ghassan, além de referência a redes sociais. Para o Ministério Público, esse tipo de material, em um evento de grande alcance popular, pode representar promoção política fora do período eleitoral.

Inauguração da ponte de Outeiro

Outro episódio apontado é a entrega da obra pública, onde, segundo o MP, havia:

  • Bandeiras com nome e imagem da vice-governadora
  • Pessoas usando camisetas e bonés com o nome “Hana”

Na avaliação do órgão, o cenário teria ultrapassado o caráter institucional da solenidade, aproximando-se de um ato de natureza político-eleitoral.

O que o MP pede ao TRE

O Ministério Público Eleitoral defende que a Justiça Eleitoral reconheça as irregularidades e aplique:

  • Multa de até R$ 25 mil por propaganda eleitoral antecipada
  • Multa de até 100 mil UFIR pela conduta vedada ligada ao uso da função pública

O parecer também enquadra o caso dentro de normas usadas para apurar possível abuso relacionado ao exercício do cargo, o que, em tese, pode gerar repercussões eleitorais mais amplas. Essa avaliação, no entanto, dependerá da decisão final da Justiça.

Ainda não é condenação

O documento é um parecer do Ministério Público, ou seja, uma manifestação técnica dentro do processo. A decisão final cabe aos juízes do TRE do Pará, que podem concordar ou não com o entendimento apresentado.


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