O que está acontecendo na Amazônia? 26 de setembro de 2025

Moradores protestam contra a falta de água em Belém; problema já dura uma semana

Concessionária Águas do Pará é alvo de críticas mesmo após assinatura de contrato bilionário de saneamento

Moradores dos conjuntos Orlando Lobato, Pedro Teixeira, Satélite e das comunidades Teixeirinha e Mururé, em Belém, farão nesta sexta-feira (26) uma manifestação contra a falta de abastecimento de água, que já dura uma semana nos locais. O ato está marcado para as 18h, em frente ao conjunto Orlando Lobato, e deve reunir cerca de 60 moradores.

A mobilização denuncia a situação crítica enfrentada por centenas de famílias, que seguem sem acesso regular à água, mesmo após comunicados oficiais da concessionária Águas do Pará, responsável pelo serviço. Uma moradora do conjunto Orlando Lobato relatou: “Estamos há sete dias sem água, dependendo de vizinhos e de baldes para as tarefas básicas do dia a dia”.

Contrato bilionário não muda realidade da população

No último dia 14 de setembro, foi assinado o contrato de concessão de saneamento com a Águas do Pará, que prevê atender 99 municípios paraenses, incluindo a capital. O acordo, considerado o maior da história do saneamento na Amazônia Legal, prevê R$ 19 bilhões em investimentos ao longo de 40 anos.

Apesar do investimento previsto, a população ainda enfrenta problemas no abastecimento básico, evidenciando a distância entre o contrato assinado e a realidade do serviço.

Belém entre as piores cidades em saneamento do país

O cenário da capital paraense reflete os dados do Ranking do Saneamento 2025, do Instituto Trata Brasil. Belém ocupa a 95ª posição entre as 100 maiores cidades do país. Nas capitais da região Norte — Manaus (87ª), Belém (95ª), Rio Branco (97ª), Macapá (98ª) e Porto Velho (99ª) — a média de atendimento de água é de apenas 64,2%, significativamente inferior à média nacional de 83,1%.

Quanto ao esgotamento sanitário, a situação é ainda mais grave: a média de coleta é de apenas 17%, contra 55,2% no país. Do esgoto coletado, somente 23,4% é tratado, enquanto a média nacional chega a 51,8%.

Esses índices precários afetam diretamente a saúde e a qualidade de vida da população, favorecendo a proliferação de doenças de veiculação hídrica, prejudicando o estudo das crianças e comprometendo a produtividade dos trabalhadores.

Serviço

Data: Sexta-feira, 26 de setembro
Horário: 18h
Local: Em frente ao conjunto Orlando Lobato, Belém – PA


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