Ministério da Saúde emite alerta nacional contra bebidas adulteradas com metanol; saiba onde buscar ajuda na grande Belém
País já registra 11 casos confirmados e outros 48 em investigação; população deve evitar destilados de origem duvidosa
O Ministério da Saúde lançou um alerta nacional para que a população evite consumir bebidas destiladas de origem desconhecida, especialmente as incolores, diante do aumento de intoxicações por metanol no Brasil. Até a tarde desta quinta-feira (2), foram registradas 59 notificações em todo o país, sendo 11 casos confirmados laboratorialmente. Três mortes já foram confirmadas.
Os estados com registros são: 53 em São Paulo, 5 em Pernambuco e 1 no Distrito Federal. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou que o consumo de bebidas de origem duvidosa representa risco grave à saúde.
O que é o metanol e por que é perigoso
O metanol é um álcool usado industrialmente em solventes e produtos químicos, altamente tóxico quando ingerido. No organismo, ele é metabolizado em substâncias perigosas que atacam fígado, medula, cérebro e nervos ópticos, podendo causar cegueira, coma, insuficiência pulmonar e renal, ou morte.
O Ministério da Saúde destaca que os casos confirmados estão ligados à ingestão de bebidas adulteradas comercializadas irregularmente, sem inspeção ou autorização da Vigilância Sanitária.
Medidas de precaução e tratamento
O governo federal orienta que a população:
- Consuma apenas bebidas alcoólicas de origem segura e certificada;
- Evite produtos vendidos sem rótulo ou em pontos informais;
- Procure atendimento médico imediato se houver sintomas suspeitos.
Para os profissionais de saúde, o etanol farmacêutico foi disponibilizado como antídoto, impedindo que o metanol se transforme em ácido fórmico, substância ainda mais tóxica. Até agora, 4.300 ampolas já foram adquiridas para distribuição em hospitais e centros de referência de todo o país, com estoque concentrado em hospitais universitários para rápida mobilização. A Anvisa identificou 604 farmácias que produzem o etanol farmacêutico e vai definir unidades de referência em cada capital.
O ministro Padilha reforçou que a rápida administração do antídoto é essencial para reduzir mortes e sequelas. Além disso, os profissionais de saúde devem rastrear a origem da bebida ingerida para identificar fornecedores e evitar novos casos de intoxicação.
Onde buscar ajuda em Belém
Em casos de ingestão acidental de bebidas contaminadas ou intoxicação química, a população de Belém pode acionar o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox), serviço gratuito, remoto e disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana. Localizado no Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), integrado ao Complexo Hospitalar da UFPA e vinculado à Ebserh, o Ciatox oferece orientação sobre primeiros socorros, acompanhamento do caso e encaminhamento à rede de saúde quando necessário.
O atendimento pode ser feito pelo WhatsApp (91) 9-8628-4585. O centro atua há quase 30 anos e, de janeiro a julho de 2025, já contabilizou 740 atendimentos, aproximando-se do total de 920 ocorrências registradas em 2024. O serviço orienta tanto a população quanto profissionais de saúde sobre intoxicações químicas, acidentes com animais peçonhentos, ingestão acidental de medicamentos e contato com produtos perigosos.
O Ciatox também possui protocolos estratégicos para grandes eventos, como a COP30, garantindo estoque de antivenenos e suporte técnico especializado. A equipe recomenda não se automedicar, evitar a mistura de produtos químicos, usar roupas de proteção em áreas de risco e manter ambientes limpos para reduzir acidentes.
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