Mais de 60 lideranças indígenas do Oiapoque dizem NÃO ao petróleo na Foz do Amazonas
Mais de 60 lideranças indígenas do Amapá se reuniram na aldeia Açaizal, a cerca de uma hora e meia de Oiapoque, e deram um recado direto. Eles não querem a exploração de petróleo em seus territórios. A assembleia, que aconteceu entre os dias 26 e 28 de maio, foi histórica e reuniu representantes das etnias […]
Mais de 60 lideranças indígenas do Amapá se reuniram na aldeia Açaizal, a cerca de uma hora e meia de Oiapoque, e deram um recado direto. Eles não querem a exploração de petróleo em seus territórios.
A assembleia, que aconteceu entre os dias 26 e 28 de maio, foi histórica e reuniu representantes das etnias Karipuna, Galibi Marworno, Palikur e Galibi Kali’na. A assembleia abordou vários tópicos prioritários para os indigenas do Amapá, mas tinha um objetivo que foi prioridade: defender os povos e a floresta dos impactos já causados pela presença da Petrobrás, mesmo antes da liberação da pesquisa petrolífera autorizada.

Segundo os indígenas, os problemas já começaram. Eles denunciam o aumento repentino da população em Macapá e Oiapoque, o barulho constante de helicópteros sobrevoando as aldeias, o que assusta crianças, idosos e expulsa a caça. Para eles, a empresa chegou sem diálogo e está causando desequilíbrio além de criar conflitos entre as lideranças.
O cacique da Aldeia Açaizal, Martinho Damasceno do povo Karipuna, afirma que a reunião será de vital importância para definir os rumos e decisões quanto à movimentação da Petrobrás em seu território. “O Governo fala que não vai impactar nossa região, mas nós sabemos que sim sendo que a aldeia do Açaizal está bem próxima do oceano. “A gente tá tentando reverter essa situação, mas sabemos que eles vêm com tudo pra cima de nós”, disse liderança indígena.
As críticas foram duras. O governo federal, o presidente Lula, o senador Randolfe Rodrigues e o deputado Davi Alcolumbre foram citados nominalmente. O movimento cobra respeito, consulta livre, prévia e informada, como manda a Constituição e tratados internacionais.
Um documento oficial foi assinado por todas as lideranças presentes e será entregue a órgãos como o Ministério Público Federal, Defensoria Pública, Ministério do Meio Ambiente e Ministério dos Povos Indígenas.
Os povos originários também anunciaram que estarão presentes com força total na COP 30, a Conferência do Clima da ONU que acontecerá no Brasil em 2025. Lá, prometem ocupar o centro do debate sobre o futuro da Amazônia e da exploração de petróleo na região.