Leilão da Foz do Amazonas: três estrangeiras garantem exploração em região de risco socioambiental
Petrobras, ExxonMobil, Chevron e CNPC arrematam 19 blocos para exploração em área sensível da costa amazônica
O leilão de áreas para exploração de petróleo e gás na bacia da Foz do Amazonas, realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nesta semana, reacendeu o debate sobre os riscos ambientais na região. No total, 19 blocos foram arrematados por grandes petroleiras, movimentando aproximadamente R$ 845 milhões em bônus de assinatura.
Empresas vencedoras e valores envolvidos
Os blocos foram divididos entre dois consórcios internacionais. De um lado, a brasileira Petrobras e a americana ExxonMobil conquistaram dez áreas. Do outro, a americana Chevron, em parceria com a estatal chinesa CNPC (China National Petroleum Corporation), ficou com nove blocos.
As áreas leiloadas se distribuem em três setores marítimos:
- Setor SPZA-AP2: 6 blocos para Chevron e CNPC; 3 blocos para Petrobras e ExxonMobil — total de 8.662,79 km².
- Setor SPZA-AP3: 5 blocos para Petrobras e ExxonMobil; 3 blocos para Chevron e CNPC — total de 6.111,51 km².
- Setor SPZA-AP4: todos os blocos (1.583,03 km²) arrematados pelo consórcio Petrobras e ExxonMobil.
O total arrecadado em bônus de assinatura foi de aproximadamente R$ 845 milhões, valor pago apenas pelo direito de explorar as áreas.
Riscos ambientais e protestos
O leilão, apelidado por ambientalistas de “leilão do fim do mundo”, ocorreu mesmo sob forte pressão de movimentos socioambientais, lideranças indígenas e recomendação contrária do Ministério Público Federal (MPF). A área da Foz do Amazonas é considerada uma das mais sensíveis do país, abrigando manguezais, corais e espécies marinhas ameaçadas.
O MPF solicitou à Justiça a suspensão do certame, mas o pedido foi negado. No dia do evento, manifestações ocorreram em diversas cidades, denunciando os riscos de vazamentos de óleo e impactos diretos sobre as comunidades tradicionais que dependem da pesca e do extrativismo sustentável.
Polêmica em ano de COP30 no Brasil
A realização do leilão ganhou ainda mais repercussão por acontecer em 2025, ano em que o Brasil sedia a COP30, conferência mundial sobre o clima, prevista para Belém (PA). Especialistas e organizações não-governamentais apontam contradição entre o discurso oficial do governo de compromisso com a transição energética e a ampliação da fronteira petrolífera na Amazônia.
Histórico das empresas envolvidas
As quatro companhias que arremataram os blocos já atuam em outras regiões produtoras de petróleo:
- Petrobras: presença consolidada no pré-sal brasileiro.
- ExxonMobil: gigante americana, alvo de críticas por baixa adesão às energias renováveis.
- Chevron: também dos EUA, com histórico polêmico na Amazônia equatoriana, onde enfrentou acusações de contaminação ambiental.
- CNPC: estatal chinesa, interessada em ampliar sua presença no mercado latino-americano de energia.
Ainda falta o licenciamento ambiental
Apesar do leilão concluído, a fase de licenciamento ambiental ainda precisa ser vencida para que as atividades de prospecção avancem. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) já havia emitido alertas sobre a complexidade dos impactos potenciais na região.
*Com informações de ANP, MPF, Ibama e portal Metrópoles.
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