Indígena é amarrado e deixado à deriva após ataque de pescadores ilegais no Vale do Javari, no Amazonas
Indígena do povo Matis foi abordado enquanto pescava. Caso ocorreu na Terra Indígena Vale do Javari, região marcada por conflitos envolvendo invasões e pesca ilegal.
O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma investigação para apurar um ataque cometido por pescadores ilegais contra um indígena do povo Matis na Terra Indígena Vale do Javari, no estado do Amazonas. O episódio ocorreu no dia 3 de março, em uma região que há anos enfrenta problemas relacionados a invasões e exploração ilegal de recursos naturais.
Segundo informações reunidas até o momento, o indígena foi abordado enquanto pescava em um lago do rio Ituí, nas proximidades da aldeia Beija Flor.
Indígena foi amarrado e deixado à deriva
De acordo com os relatos que motivaram a investigação, o indígena teria sido surpreendido por pescadores não indígenas. Durante a abordagem, ele foi ameaçado, teve seus pertences levados e acabou sendo amarrado pelos invasores.
Após o ataque, a vítima foi abandonada à deriva no rio. O indígena só foi encontrado no dia seguinte, durante uma busca organizada por lideranças da própria comunidade, incluindo um cacique da região.
Região registra conflitos frequentes
A Terra Indígena Vale do Javari é uma das maiores áreas protegidas do país e tem histórico de conflitos envolvendo atividades ilegais, como a pesca predatória e outras formas de exploração irregular de recursos naturais.
Essas invasões representam riscos constantes para as comunidades indígenas que vivem no território.
MPF pede informações a órgãos federais e indígenas
Diante do caso, o procurador da República Guilherme Diego Rodrigues Leal determinou a abertura de um inquérito policial para aprofundar as investigações e reunir mais informações sobre o episódio.
O Ministério Público solicitou dados sobre registros recentes de invasões, ocorrências de pesca ilegal e medidas de proteção territorial adotadas ou em planejamento.
Órgãos foram acionados para colaborar com investigação
Para subsidiar a apuração, o MPF encaminhou solicitações de informações ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), à União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Unijava) e ao Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI).
As instituições têm prazo de dois dias para responder aos questionamentos. A investigação busca esclarecer as circunstâncias do ataque e identificar os responsáveis pela violência contra o indígena.
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