Incêndio na COP30: ministro aponta suposta falha da ONU e cita “micro-ondas clandestino” como possível causa do incidente
Celso Sabino aponta demora no acionamento do alarme e questiona entrada de micro-ondas em área onde o uso era proibido; PF investiga causas do incidente
O incêndio que atingiu a Zona Azul da COP30, no dia 20 de novembro, continua gerando questionamentos sobre o que teria ocasionado o incidente. O ministro do Turismo, Celso Sabino, afirmou durante uma entrevista ao portal Poder360, que a equipe das Nações Unidas demorou a acionar o sistema de alarme, mesmo diante das primeiras chamas no pavilhão onde o fogo começou. Segundo ele, houve falhas no procedimento adotado pelos seguranças responsáveis pela área exclusiva da ONU.
Além da demora no acionamento das botoeiras de emergência, o ministro ressaltou outra preocupação: a entrada de um micro-ondas no pavilhão, equipamento cujo uso era proibido por risco de sobrecarga elétrica. Para Sabino, o fato de o aparelho ter passado pelo raio-X da ONU levanta dúvidas sobre a fiscalização na entrada da conferência.
Causa do incêndio ainda não foi confirmada: PF apura hipótese de curto-circuito em micro-ondas
O governo do Pará informou que trabalha com a possibilidade de que o incêndio tenha sido provocado por um curto-circuito em um micro-ondas instalado em um dos estandes de países participantes. O aparelho teria sido ligado junto a outros equipamentos, o que pode ter provocado superaquecimento nas conexões elétricas.
A Polícia Federal ainda investiga as causas do fogo. Sabino explicou que o cabo do micro-ondas pode ter atingido temperatura acima do normal, iniciando as chamas. Ele destacou que o equipamento não deveria estar na área e reiterou que sua entrada contraria as regras definidas para a Zona Azul.
O ministro afirmou que, apesar do protocolo de segurança indicar que os participantes deveriam acionar imediatamente o alarme, pessoas da equipe da ONU que presenciaram o início das chamas não apertaram o botão de emergência. A definição sobre se houve falha humana depende da conclusão da investigação.
Estrutura antichamas evitou tragédia maior
O fogo se espalhou rapidamente pelo Pavilhão da África Oriental, destruindo parte da estrutura, abrindo um buraco no teto e provocando correria no local. A organização informou que as chamas foram controladas em aproximadamente seis minutos, evitando danos maiores.
Sabino defendeu o planejamento da estrutura provisória da conferência, argumentando que os materiais usados eram antichamas e impediram que o incêndio se transformasse em um acidente de grandes proporções. Ele chegou a mencionar que, sem essas medidas, o risco seria de uma tragédia comparável à da boate Kiss.
Ao todo, 27 pessoas receberam atendimento médico por inalação de fumaça e crises de ansiedade. Nenhuma registrou queimaduras. O acesso à área afetada só foi liberado horas depois, às 20h40, quando autoridades brasileiras concluíram a avaliação de segurança.
O coordenador do Observatório do Clima, Claudio Angelo, destacou que esta é a primeira vez que um incêndio acontece na Zona Azul em três décadas de conferência. Para ele, o episódio agrava a relação já desgastada entre a ONU e o governo brasileiro, especialmente após o episódio ter exposto fragilidades na coordenação entre as equipes.
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